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Bolsonaro usa o medo que tem de ser preso como arma de campanha

A nova jabuticaba, coisa nossa, só nossa

atualizado 03/07/2022 9:45

O presidente Jair Bolsonaro durante agenda política em Salvador, na Bahia Reprodução/Redes sociais

Como poucos, Bolsonaro usa, e sabe usar, o medo como arma afiada contra seus adversários. Foi assim das sete vezes em que se elegeu deputado federal, da vez que se elegeu presidente da República, e novamente agora quando é candidato à reeleição.

Não se passa um dia sem que ele diga em campanha que Lula é ladrão, que deveria estar preso, e que irá desgraçar o país se caso se eleja. Disse a Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, que os interesses americanos serão melhor defendidos por ele.

Enrola-se na bandeira do bem e diz que o mal está às portas para derrotá-lo. E que se a esquerda, barrada por ele em 2018, voltar ao poder daqui a três meses, não mais sairá. Não importa que ela na história da República só tenha governado por poucos anos.

A alternância no poder é um dogma da democracia. Os partidos Democrata e Republicano se alternam no poder nos Estados Unidos, socialistas e conservadores na França, conservadores e trabalhistas no Reino Unido, mas aqui não deveria.

Sem alternância não há democracia, ele sabe. Mas, e daí? Quem disse que ele é  um democrata? Defende a tortura e a ditadura, lamenta que a ditadura tenha matado pouco, e seu ídolo é o único militar condenado por tortura de presos políticos.

Repete, para enganar seus seguidores, que joga e que continuará jogando “dentro das quatro linhas da Constituição”. Ao mesmo tempo, ameaça fechar o Supremo Tribunal Federal, desacredita o sistema de votação e está pronto a dar um golpe se perder.

E vai aqui, por sua originalidade, a maneira recente que encontrou de valer-se do medo como um espantalho a seu favor: diz que a Justiça irá prendê-lo e aos seus filhos se ele não se reeleger. E para evitar que isso aconteça, só lhe dando um novo mandato.

Votem em Bolsonaro e nos seus filhos para que escapem à prisão – esse é o apelo que com variadas palavras, quase sempre de forma indireta, está sendo propagado pela direita extremista nas redes. É algo inusitado, de certo, brasileiro como a jabuticaba.

Está em fase de testes. Nos últimos dias, aliados de Bolsonaro exploraram a notícia da prisão da ex-presidente da Bolívia Jeanine Anêz, condenada a dez anos de cadeia sob a acusação de perpetrar um golpe contra o ex-presidente Evo Morales.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), fritador de hamburger quando vivia nos Estados Unidos, credenciado, portanto, a aventurar-se no ramo da diplomacia como embaixador do Brasil em Washington que nunca foi, comentou a prisão de Anêz:

“Consegue entender o perigo que o Brasil vive?”

O alerta foi dado. Resta saber se vai atrair votos de eleitores que se dizem indecisos ou que admitem trocar de candidato.

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