Bolsonaro teme o crescimento da grama à sua porta

O medo da solidão

atualizado

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HUGO BARRETO/METRÓPOLES @hugobarretophoto
Bolsonaro na saída do hospital DF Star no domingo (14/9)
1 de 1 Bolsonaro na saída do hospital DF Star no domingo (14/9) - Foto: <p>HUGO BARRETO/METRÓPOLES<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

Terei de repetir?

Vamos lá.

Bolsonaro nada tem a ganhar anunciando o nome do seu candidato a presidente em 2026 antes de começar a cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão a que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe. Nada mesmo.

Em meados do ano 1995, visitei o ex-ministro Jarbas Passarinho em sua casa no Lago Norte, um bairro de Brasília. Eu o conheci no Recife quando ele era ministro da Educação do presidente Emílio Garrastazu Médici.  Era uma boa fonte de informação.

– Você viu como a grama cresceu no meu jardim? – Passarinho perguntou mal eu havia me sentado no seu escritório de trabalho, povoado de livros e de pastas. Sem esperar minha resposta, ele disse, meio rindo, meio sério:

– A grama cresce nos jardins de políticos sem poder porque as visitas escasseiam.

Passarinho governou o Pará, foi ministro de três governos da ditadura militar, senador duas vezes, presidente do Senado e ministro de Fernando Collor. Ao subscrever o ato institucional mais infame da ditadura, cunhou uma frase que ficaria famosa:

– Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência.

Morreu em junho de 2016.

A grama crescerá em qualquer lugar onde Bolsonaro fique preso – numa cela da Penitenciária da Papuda, ou numa sala especial da Superintendência da Polícia Federal, ou em sua casa em um condomínio de Brasília. Resta saber a partir de quando.

Quanto mais ele demorar a passar o bastão de líder da direita, mais a grama demorará a crescer. Daí porque seus filhos e Michelle, sua mulher, insistem em proclamar que o candidato da direita contra Lula será Bolsonaro, o inelegível.

O candidato de Bolsonaro ou será Flávio, o filho Zero Um, ou um dos nomes da direita que se oferecem para ser, mas que esperam sua benção. A pressa seria a maior inimiga de Bolsonaro, e ele sabe disso. O silêncio, enquanto for possível, manterá a grama aparada.

Vida longa a Bolsonaro para que pague por seus pecados.

 

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