Bolsonaro tem um problema: que medalhistas deve cumprimentar?

E se por acaso um deles recusar o cumprimento?

atualizado 26/07/2021 17:07

Delegação brasileira na abertura das Olimpíadas Jonne Roriz/COB

Sempre que um brasileiro notável produz algum grande feito ou simplesmente morre, o presidente Jair Bolsonaro se vê diante de um dilema: exaltá-lo ou não por meio de uma nota oficial?

Se for alguém da esquerda ou adotada por ela, simplesmente ignora o feito ou a morte. Se não for, manda assessores avaliarem se vale a pena ele se pronunciar. No mais das vezes, não o faz.

O problema está outra vez posto na mesa com as Olimpíadas de Tóquio que mal começaram, mas que até esta madrugada já conferiram ao Brasil duas medalhas de prata e uma de bronze.

Skate, esporte praticado nas ruas por qualquer um, merece ser lembrado? E essa garota de menos de 14 anos, a tal da Rayssa Leal, será que a família dela é bolsonarista ou lulista?

Rayssa é do Maranhão, governado por Flávio Dino, ex-PC do B, agora no PSB. Dino multou Bolsonaro por ter promovido aglomerações no seu Estado, e ainda por cima sem máscara.

Quem é esse rapaz Kelvin Hoefler que ficou com a prata no street masculino? Outro skatista? Ele é confiável ou não? Não seria o caso de o presidente só manifestar-se sobre esportes coletivos?

A família do judoca Daniel Cargnin, medalha de bronze, é do Rio Grande do Sul, onde Bolsonaro teve uma grande votação em 2018. Mas ele foi vítima da Covid-19, e vai que culpa o governo por isso…

Nas Olimpíadas de 2016, no Rio, o Brasil ganhou 19 medalhas, sendo sete de ouro, seis de prata e seis de bronze. E se este ano for bem outra vez? Bolsonaro vai querer faturar ou não?

A vida do presidente da República é muito dura, como Bolsonaro já lamentou inúmeras vezes.