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Bolsonaro se move, embora devagar. Daí, talvez, sua irritação

Chamem Michelle para exorcizá-lo

atualizado 19/08/2022 7:27

Jair bolsonaro tenta tirar celular da mão de wilker leão Reprodução/YouTube

Está bem: não foi um movimento para o alto capaz de fazer Bolsonaro avistar luz no fim do túnel, o que lhe daria a certeza de que Lula não se elegerá no primeiro turno, ficando para o segundo a escolha do próximo presidente da República. Lula ainda se elege.

(Antigamente, se diria: não foi nenhuma Brastemp, empresa criada em São Bernardo do Campo, interior de São Paulo, em 1954, que ganhou fama de fabricar as melhores máquinas de lavar do país, e mais tarde fogões e geladeiras, referências no mercado.)

Mas Lula não cresceu e segue há meses estacionado nas pesquisas de intenção de voto, oscilando dentro da margem de erro. E Bolsonaro cresceu, segundo o Datafolha. Avançou três pontinhos. Desde maio, a diferença entre os dois caiu de 21 para 15 pontos.

Melhorou a avaliação do governo. Os que o acham ótimo ou bom são 30% dos eleitores, a taxa mais alta desde março de 2021. A rejeição a Bolsonaro (os que dizem que não votarão nele de jeito nenhum) é de 51%, mas já foi maior. A de Lula, 37%, era menor.

Lula lidera com folga entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos (55% a 23%), entre as mulheres, jovens e os menos escolarizados. Bolsonaro, porém, o ultrapassou entre os que ganham de dois a cinco mínimos (41% a 38%).

Por regiões, Bolsonaro só vence no Norte (43% a 41%) e no Centro-Oeste (42% a 36%). Mas avançou nas demais onde Lula está na frente – Nordeste (57% a 24%), Sudeste (44% a 32%), e Sul (43% a 41%). Bolsonaro disparou entre os evangélicos, 30% do eleitorado.

Faltam 44 dias para as eleições, e 7 para o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Muita coisa ainda pode acontecer. O que Bolsonaro sabe e explica seus constantes ataques de nervos? Só ontem foram três, com direito à transmissão pela tv.

De manhã, à saída do Palácio da Alvorada, agarrou um youtuber pela gola da camisa e tentou tomar seu celular. À tarde, gritou com a própria equipe em meio a uma entrevista à imprensa: “Ninguém bota a mão em mim. Ninguém bota a mão em mim”.

À noite, em sua live semanal, foi grosseiro com um assessor que corrigiu uma informação errada dada por ele: “Fica na tua aí. Eu pedi tua opinião, pedi? Fica na tua aí”.

Não fosse sua mulher, talvez Michelle dissesse que Bolsonaro estava “endemoniado”. Mas esse é um adesivo que ela prefere aplicar a Lula e a todos que considera de esquerda. Aleluia, Senhor!

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