Bolsonaro aumenta o tom de suas ameaças à democracia

A 9 dias do 7 de Setembro, o presidente radicaliza suas falas e proíbe ministros de anunciarem medidas impopulares

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Igo Estrela/Metrópoles
“O povo armado jamais será escravizado”. Fala do presidente depois de recebe um violão de presente e simular estar segurando uma arma com o instrumento
1 de 1 “O povo armado jamais será escravizado”. Fala do presidente depois de recebe um violão de presente e simular estar segurando uma arma com o instrumento - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Se as manifestações convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro contra os demais Poderes da República foram menores do que ele esperava, será muito ruim para ele, de acordo? Mas será pior se forem maiores, convenhamos. Em resumo: ele só tem a perder.

Na primeira hipótese, ficará demonstrado que Bolsonaro de fato é um presidente que só faz perder apoios, como registram todas as pesquisas de opinião conhecidas até aqui. Na segunda, que é a maior ameaça à democracia desde o fim da ditadura de 64.

A repercussão disso no âmbito dos demais Poderes será desastrosa. Na Justiça, como reação natural, os inquéritos abertos para investigá-lo ganharão celeridade. No Congresso, partidos hoje aliados do governo afrouxarão seus laços com ele.

O Centrão é de direita, mas antes de tudo é pragmático. Uma coisa é cerrar fileiras com um presidente de extrema direita a pretexto de não deixar que ele ultrapasse as quatro linhas da Constituição e, de quebra, ainda extrair todas as vantagens possíveis.

Outra bem diferente é ajudá-lo a implantar no país um regime autoritário. A política, boa ou má, só perde quando a democracia dá lugar à ditadura. Ninguém acredita que os generais apliquem golpe para favorecer um ex-capitão enxotado do Exército.

O eventual gigantismo das manifestações do dia 7 de setembro aprisionará Bolsonaro numa camisa de força, porque reforçará sua certeza de que está no rumo certo, e não ao contrário, como supõem os ingênuos, complacentes ou meros desatentos.

Nem por puro oportunismo, a moderação jamais fez parte do repertório do presidente. O radicalismo sempre o alimentou. Anteontem, ele voltou a recomendar aos brasileiros que se armem. Ontem, disse que não deseja o golpe, mas que “tudo tem limite”.

Tudo o quê? Quem estabelece limites? As leis? Ele? Numa democracia, são as leis. Para um defensor da tortura e da ditadura, é ele. Bolsonaro ordenou aos seus ministros que se calem sobre assuntos impopulares pelos próximos nove dias.

Por enquanto, só ele fala.

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