Balança e pode cair esquema de Flávio Bolsonaro para eleição no Rio
As voltas que o mundo dá
atualizado
Compartilhar notícia

O governador em exercício do Estado do Rio, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal da Justiça, determinou uma auditoria em todas as secretarias estaduais, autarquias, fundações e outros órgãos integrantes da administração direta.
Em no máximo 15 dias úteis, os titulares dos órgãos deverão enviar um relatório com uma série de informações à Casa Civil e à Controladoria Geral do Estado. O texto assinado por Couto estipula o que ele quer:
Uma lista de todos os projetos e programas desenvolvidos pelo órgão nos últimos 12 meses, com detalhamento de despesas, previsão de gastos para este ano e os resultados obtidos;
Os principais contratos assinados pelo órgão nos últimos 12 meses, com o custo, data de assinatura e valores, “desde que superiores a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais)”;
O número de servidores e de cargos comissionados em cada órgão, além do número de trabalhadores terceirizados envolvidos em projetos, programas e contratos em execução;
A lista das licitações em curso e dos contratos assinados nos últimos 12 meses “que ainda não possuam recursos financeiros alocados para sua execução ou cuja ordem de início ainda não tenha sido efetivada”;
A indicação de todos os contratos com inexigibilidade de licitação ou dispensa emergencial.
Além da auditoria especial, Couto também determinou a realização de auditorias específicas em cada órgão do estado. Esse pente-fino irá verificar a legalidade das contratações diretas, por dispensa ou inexigibilidade de licitação.
O decreto de Couto também veda “a realização de novas licitações ou o início da execução de novos contratos sem a prévia identificação de dotação orçamentária específica e suficiente para assegurar a execução integral dos contratos em andamento.”
Couto foi avisado por ministros do Supremo Tribunal Federal que deverá governar o Rio até o final das eleições de outubro, ou até a posse do novo governador. Foi suspenso no tribunal o julgamento de uma ação que poderia provocar uma eleição de imediato.
Quem mais tem a perder é o bolsonarismo. Cláudio Castro, o governador anterior, aliado de Flávio Bolsonaro, renunciou ao mandato na véspera de ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral pelos crimes de abuso de poder político e econômico.
Candidato ao Senado, contava com a possibilidade de ser sucedido no cargo pelo presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, de vez que seu vice, Thiago Pampolha Gonçalves, fora nomeado por ele conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Acontece que o mandato de Bacellar também foi cassado, e pelos mesmos motivos. Douglas Ruas, bolsonarista de carteirinha, foi eleito por seus colegas para presidir a Assembleia. Naturalmente seria o escolhido para a vaga de Castro se a eleição fosse indireta.
Foi aí que o bicho pegou. Com a permanência do desembargador Couto no lugar de Castro, a máquina do governo não estará mais sob o comando de um aliado de Castro e de Flávio. E isso prejudicará o plano dos dois para as eleições deste ano.
Com 13 milhões de eleitores, mais do que os sete estados da região Norte do país, o Rio é uma das chaves da disputa entre Flávio Lula, observa o colunista de O Globo Thomas Traumann, ministro da Secretaria de Comunicação Social dos governos Dilma.
O PT venceu todas as eleições presidenciais no Rio até 2014. No segundo turno em 2018, Jair Bolsonaro derrotou Haddad por 68% a 32% (uma diferença de 3 milhões de votos). Em 2022, ganhou de Lula por 56,5% a 43,5%, uma vantagem de 1,25 milhão de votos.
Como será agora? Flávio não tem a força do pai. Por ora, herda seus votos. O favorito para se eleger governador do Rio é Eduardo Paes, que apoia Lula. No primeiro turno, Flávio enfrentará outros concorrentes à direita dispostos a subtrair-lhe votos.


