A sorte do ministro Paulo Guedes está nas mãos de Arthur Lira

Como o Centrão age às sombras para mandar no governo Bolsonaro mais do que já manda

atualizado 11/10/2021 5:01

Lambe-Lambe com a imagem do Ministro da Economia Paulo Guedes em uma cédula de US$ 9,55 milhões é visto na Avenida Faria Lima, zona sul de São Paulo Fábio Vieira/Metrópoles

Arthur Lira (PP-AL), o mais poderoso de todos os presidentes da história recente da Câmara dos Deputados, embarcou para um compromisso em Roma na última terça-feira.

No dia seguinte, por 310 votos contra 142, o plenário da Câmara aprovou a convocação do ministro Paulo Guedes, da Economia, para depor sobre sua conta bancária em paraíso fiscal.

Foi só coincidência? Por acaso, Lira teria sido pego de surpresa? Se não houve surpresa, por que ele não avisou antes ao presidente Jair Bolsonaro que isso poderia acontecer?

Vai ver que avisou. E que Bolsonaro preferiu não se meter, nunca se sabe. O certo é que o lance acabou sendo bom para Lira e Bolsonaro. Com vantagem para Lira, um dos líderes do Centrão.

A data para que Guedes vá depor ficou em aberto. Caberá a Lira marcar. E ele poderá também engavetar o assunto, como engavetados estão os pedidos de impeachment de Bolsonaro.

Guedes é um ministro fraco, e não só porque descobriram que esconde parte de sua fortuna onde não precisa pagar impostos e acaba lucrando com as medidas que ele mesmo toma.

É fraco porque não fez as reformas que prometeu. Sua fraqueza, no momento, interessa a Lira e a Bolsonaro. Aos dois porque querem ganhar mais um pouco com isso.

Lira, dono de grande parte do Orçamento da União, espera que Guedes beneficie o Centrão com outros favores inconfessáveis. Bolsonaro quer arrancar de Guedes mais dinheiro para se reeleger.

Guedes é carta fora do baralho se Bolsonaro governar o país por mais quatro anos – ele e Hamilton Mourão, vice-presidente da República. Lira ambiciona governar a Câmara por mais dois anos.