A soberba precede a queda: Flávio Bolsonaro e o dinheiro que sumiu

Ele acostumou-se a jogar parado. Agora, terá que se mexer para não afundar em definitivo. É aí que mora o perigo, para ele

atualizado

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Arte/Metrópoles
Flávio Bolsonaro e Vorcaro, em montagem fotográfica -- Metrópoles
1 de 1 Flávio Bolsonaro e Vorcaro, em montagem fotográfica -- Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

Se arrependimento matasse… Pois é: a essa altura, Flávio Bolsonaro estaria sendo velado no Salão Negro do Congresso Nacional.

Causa da morte: as mentiras afiadas que disparou contra sua própria candidatura a presidente da República, mal apareceu à frente de Lula nas pesquisas de intenção de voto.

Talvez nem mesmo ele acreditasse que isso seria possível, e num período de menos de cinco meses.

Do pai, ouvira o conselho antes de aceitar o encargo: pior do que perder a eleição seria bater em retirada precoce. Se perder, poderá voltar daqui a quatro anos.

Abdicar da candidatura, porém, soaria a covardia e a desprezo pelos que estavam dispostos a apoiá-lo. Condenado, preso e doente, Jair estava certo.

Ocorre que ele superestimou o filho – qual pai não o faz? Imaginou-o certamente mais bem treinado por ele do que de fato foi, e mais inteligente do que parece.

Dadas as circunstâncias, era o filho que lhe restava. Se puser os pés no Brasil, Eduardo será preso.

Para Carlos foi reservado o papel de senador por Santa Catarina. Se dependesse só dele, Carlos estaria na praia.

Quanto a Jair Renan, vereador em Balneário Camboriú, é muito jovem e amante de festas. Será candidato a deputado federal.

E quanto a Michelle, irá para o Senado. Natural que Jair queira deixar a família bem empregada para quando um dia ele lhe faltar.

Mas aí veio Flávio e começou a estragar o plano do pai. Flávio nada aprendeu e nada esqueceu.

Tinha lá de ter pedido dinheiro a um banqueiro fraudulento, encrencado com a Justiça, para exaltar o pai em um filme e, por extensão, se autoexaltar?

Quem lhe vendeu tal ideia? O pai não foi. O pai não é burro, nunca foi.

Flávio tinha lá de ter mandado um áudio a Daniel Vorcaro chamando-o de irmão e cobrando o pagamento das parcelas atrasadas para a realização do filme?

Tinha lá, depois de o áudio ser divulgado, de negar a existência do áudio ou dizer que não se tratava de dinheiro público? Até dinheiro de emendas parlamentares, portanto dinheiro público, financiou o filme.

E tinha lá de ter visitado Vorcaro em prisão domiciliar a pretexto de pôr um ponto final no negócio, como se soube ontem?

Ou Flávio, o sagaz, pensou que Vorcaro continuaria a lhe dar dinheiro? Ou visitou-o para solidarizar-se com ele?

A propósito: onde foi parar o dinheiro? Nos Estados Unidos, como a princípio se disse? Mas por que, se o filme foi produzido aqui e está quase pronto?

Por que Flávio não explica tudo direitinho ao invés de mentir, e mentir, e mentir?

Porque “a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Provérbios 16:18).

Vai ver Flávio gosta de viver perigosamente e sentiu-se imune a hecatombes. O que mais está por ser revelado?

Flávio acostumou-se a jogar parado. Para não afundar em definitivo, terá que se mexer. Aí mora o perigo; perigo para ele. Satisfação para seus adversários.

 

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