A quebra de braço entre Lula e Haddad e o que está por trás dela

Não se diz não a um presidente, mas em todo caso…

atualizado

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Vinícius Schmidt/Metrópoles
Presidente Lula, ministro Haddad e Geraldo Alckmin durante evento de governo -- Metrópoles
1 de 1 Presidente Lula, ministro Haddad e Geraldo Alckmin durante evento de governo -- Metrópoles - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Se o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) acordar amanhã convencido de que o melhor para ele é ser candidato ao governo de São Paulo, é claro que sua vontade será satisfeita por Lula, o PT e a esquerda em peso. Se não, outra vez será candidato a vice de Lula nas eleições de outubro próximo.

Em entrevista ao portal UOL, perguntado sobre como gostaria de montar seu palanque em São Paulo, Lula respondeu:

– Nós temos muito voto em São Paulo e condições de ganhar as eleições [por lá]. Eu ainda não conversei com [Fernando] Haddad, nem com Alckmin, mas eles sabem que têm um papel a cumprir em São Paulo, eles sabem. A Simone [Tebet] também tem um papel para cumprir, e ainda não conversei com ela.

Lula só abrirá mão de Alckmin como candidato a vice se Alckmin quiser, e mesmo assim contrafeito. Ao dizer que Alckmin tem um papel a cumprir em São Paulo, refere-se à força política dele no Estado que já governou quatro vezes. Quer vê-la posta ali a serviço dos candidatos da esquerda ao governo e ao Senado.

Alckmin, hoje, é unanimidade para vice dentro do PT, e um dos nomes cotados para suceder Lula caso ele conquiste seu quarto mandato e governe o país até 2030. Quanto a Haddad e Simone… Se depender de Lula, Haddad será candidato à vaga de Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Simone (MDB) a uma vaga ao Senado.

Haddad está rouco de tanto repetir que não quer ser candidato neste ano. Aspira a ser um dos coordenadores da campanha de Lula. Sente-se cansado. Pretende deixar o Ministério da Fazenda, se possível, no fim deste mês. Recentemente, ele e Lula conversaram longamente a respeito e chegaram a se emocionar.

Pode não dizer, mas Haddad acha que teria feito mais do que fez como ministro se Lula e o PT de fato o tivessem apoiado para valer. Em 2018, Haddad foi para o sacrifício de se candidatar a presidente a pedido de Lula, que estava preso. Perdeu. Em 2022, candidatou-se ao governo de São Paulo para ajudar Lula. Perdeu.

Uma parte do PT nunca viu Haddad com bons olhos, e segue não vendo. Haddad teme que essa parcela acabe sabotando uma eventual candidatura dele ao governo paulista ou ao Senado. Se pelo menos Lula desse algum sinal de que ele, Haddad, poderia vir a ser seu candidato a presidente em 2030…

Um dia desses, Haddad disse que Lula tenta convencê-lo a ser candidato este ano e que ele tenta convencer Lula do contrário. É difícil dizer não a um presidente da República e continuar ao seu lado como se nada tivesse acontecido.

 

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