A Papudinha aguarda a chegada de Alexandre Ramagem
“Não existe patriotismo na fuga, nem verdade na mentira”
atualizado
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Nos arredores da Casa Branca… Sim, é sempre ali onde o presidente Donald Trump despacha que atua o escalão avançado do bolsonarismo no exterior sob o comando do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo, neto do último general que presidiu o Brasil durante a ditadura de 64.
João Baptista de Oliveira Figueiredo falava e se comportava com a rudeza de um oficial da cavalaria. Ficou famoso por ter dito que preferia cheiro de cavalo a cheiro do povo. Uma vez, quis sair no tapa com estudantes que o vaiaram. Ao fim do mandato, deixou o Palácio do Planalto pela porta lateral e pediu para ser esquecido.
Foi atendido pelos brasileiros. Mudou-se para um apartamento do bairro da Tijuca, no Rio. E mais tarde foi morar em um sítio em Teresópolis, reformado gratuitamente por empreiteiras que prestaram serviços ao seu governo. Entre os objetivos iniciais da ditadura militar, estava o combate à corrupção. Pois é…
Embora não admitam, Eduardo e Paulo colecionam decepções com Trump. Tudo fizeram para que ele salvasse Bolsonaro de uma condenação pelo Supremo Tribunal Federal. Não adiantou. Trump puniu o Brasil com um tarifaço de 50% sobre seus produtos exportados para os Estados Unidos – depois recuou.
Lula e Trump se encontraram no prédio da ONU em Nova Iorque e rolou uma química entre os dois. Eduardo e Paulo esperavam que rolasse antipatia, afinal a imagem que traçam de Lula é a um perigoso líder da esquerda radical. Flávio Bolsonaro viajou ao Texas onde pensava esbarrar em Trump, mas ele não foi.
Não bastasse, Alexandre Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência no governo Bolsonaro, amigo querido da família do ex-presidente, acabou de ser preso na Flórida por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas e encaminhado a um centro de detenção por questões migratórias.
Condenado a 16 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado, Ramagem fugiu do Brasil em setembro de 2025. Reapareceu em Miami, na companhia da mulher e da filha. Planejava voltar se Lula for derrotado em outubro próximo. Corre o risco de ser deportado. Se depender de Eduardo e Paulo, não será.
Eles ainda não perderam a fé em Trump. Um presidente que afronta o Papa e posta memes fantasiado de Jesus é capaz de fazer o que lhe der na cabeça. Ocorre que Ramagem não foi preso por ter cometido uma infração de trânsito, como disseram Eduardo e Paulo. Vencera seu visto de entrada nos Estados Unidos.
O governo brasileiro, em 30 de dezembro de 2025, pediu ao governo americano a extradição de Ramagem. O passaporte diplomático que Ramagem foi cancelado após a cassação do seu mandato pela Câmara. Em meio à guerra contra o Irã e ao conflito com o Papa, é de supor que Trump tenha mais com que se ocupar.
O registro de prisão de Ramagem destaca:
“É alegado que você está sujeito à deportação dos Estados Unidos de acordo com as seguintes disposições da lei: Seção 237(a) (1)(B) da Lei de Imigração e Nacionalidade (INA), conforme alterada, por ter permanecido nos Estados Unidos por mais tempo do que o permitido, em violação da lei de imigração dos Estados Unidos”.
Vai ser difícil para Ramagem driblar a Justiça de novo, aqui e lá, e escapar impune. É aconselhável que a dupla dinâmica, Eduardo e Paulo, tome tento. Mais adiante poderá chegar a vez deles. A Papudinha os aguarda de portões abertos. Boa viagem.


