A hora da verdade está chegando para Flávio Bolsonaro

Uma cópia encardida do pai

atualizado

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Vai acabar a vida boa do senador Flávio Bolsonaro (PL), o candidato do pai dele a presidente. Porque até aqui foi muito boa, sem concorrentes à direita, e à esquerda somente Lula com quem se bater.  Por isso ele cresceu sem obstáculos, herdando os votos do pai enfermo e somando-os aos dos antipetistas.

Se parte, somente uma parte da direita dita civilizada ainda resiste aos seus encantos, ela o apoiaria se não lhe restasse outra opção. Afinal, às favas todos os escrúpulos desde que seus interesses sejam satisfeitos. De resto, o voto é secreto. Quem poderá saber em quem votei? Posso continuar posando de direita civilizada.

Romeu Zema renunciou, ontem, ao governo de Minas Gerais porque pretende, ou diz pretender, disputar a Presidência pelo NOVO. Nos próximos dias, se não se arrepender, Ratinho Júnior renunciará ao governo do Paraná para disputar a Presidência pelo PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

Flávio tentou atrair Zema e Ratinho para seu lado, mas sem sucesso. No caso de Ratinho, ofereceu-lhe mundos e fundos, da vice-presidência a ministro poderoso no seu eventual governo. Ou as duas coisas juntas. Ao sentir-se rejeitado por ele, anunciou apoio a Sérgio Moro, candidato à sucessão de Ratinho.

A fantasia de candidato moderado vestida por Flávio começará em breve a ser posta em xeque – à direita por Zema, que poderá lhe tomar uma parcela dos votos mais radicais, à esquerda por Lula e os seus aliados.  Entre Flávio, Zema e Ratinho, Lula torce por Flávio para reeditar a batalha que travou com Bolsonaro em 2022.

Diz-se que a eleição deste ano será decidida por uma diferença igual ou menor que a de quatro anos atrás. Por ora, isso não passa de palpite, aposta, ou desejo. Sabe-se lá o que irá acontecer nos próximos meses. Ninguém será cobrado por previsões contrariadas pelos resultados, a não ser os institutos de pesquisas.

Os pontos fracos de Lula são explorados diariamente pela imprensa que quer vê-lo pelas costas desde a primeira eleição, a de 1989, depois do fim da ditadura. Ela só tolerou Lula uma vez para evitar a reeleição de um candidato, o pai de Flávio, que a hostilizou e quis derrubar a democracia. Não conseguiu por pouco.

Os pontos fracos de Flávio pedem para ser explorados com a mesma intensidade. Flávio é uma cópia encardida do pai a quem nunca disse não, como seus irmãos nunca disseram. Se disseram, não foi em público. Se disseram, renderam-se às suas ordens. Ah, mas Flávio não estimulou o pai a dar o golpe.

Não se conhece uma palavra que Flávio tenha dito contra o golpe. Ele se refere ao golpe como um suposto golpe. E, se eleito, promete suspender a pena do pai e anistiar os supostos golpistas. Ora, mas é natural que Flávio proceda assim em defesa do pai. Ora, mas não se premia golpistas para não se incentivar novos golpes.

 

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