A guerra de Trump que duraria poucos dias entra na quarta semana

A resistência do regime iraniano foi subestimada

atualizado

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1 de 1 eua-ira-trump-guerra-oriente-medio—arte-metropoles-1 - Foto: Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images

Estamos de acordo que a nova guerra no Oriente Médio começou com um ataque aéreo conjunto e coordenado dos Estados Unidos e Israel contra o Irã dos aiatolás. Ou alguém discorda?

Foi no dia 28 de fevereiro último e resultou na morte do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, além de outras altas autoridades do regime pegas de surpresa.

Estamos de acordo que o presidente Donald Trump não pediu autorização ao Congresso para dar início à guerra, como manda a lei. E disse que o conflito duraria poucos dias.

Os Estados Unidos e Israel, que dispõem de armas nucleares, não querem que o Irã tenha as suas. Esse foi o pretexto para os bombardeios a Teerã e a outras regiões do país. De acordo?

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a guerra continuará pelo tempo que for necessário para garantir a segurança do seu país. E aproveitou para estendê-la ao Líbano.

Trump tem feito declarações diárias e no mais das vezes contraditórias. Na noite da sexta-feira (20), disse que considerava desacelerar a guerra. Na noite do dia seguinte, disse:

“Se o Irã não abrir totalmente, sem ameaça, o Estreito de Ormuz dentro de 48 horas, os Estados Unidos da América vão atingir e destruir suas diversas usinas de energia, começando pela maior.”

O Estreito de Ormuz é a via marítima mais estratégica do mundo para o comércio de energia. Por ele passa aproximadamente 20% do petróleo mundial e 25% do gás natural liquefeito.

O regime iraniano fechou o Estreito. Só trafegam por ali navios com seu consentimento. Os demais estão sujeitos a bombardeio, ao disparo de mísseis e à explosão de minas.

Na quinta-feira (21), Estados Unidos e Israel atingiram o complexo nuclear de Natanz, no Irã. Ontem, um míssil iraniano atingiu a cidade de Dimona, em Israel, ferindo cerca de 100 pessoas.

A habilidade de levar um país à beira da guerra sem mergulhá-lo no abismo, era a pedra angular da diplomacia da Guerra Fria, período de décadas que sucedeu à Segunda Guerra Mundial.

No final da semana, porém, como observou o jornal inglês The Guardian, “o mundo finalmente ultrapassou o abismo e, de repente, parece estar em queda livre.” Vai dar no quê?

Não foi por falta de aviso. O aiatolá Ali Khamenei advertiu no início de fevereiro: “Os americanos devem saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional.”

Está a ponto de se tornar uma guerra regional. A disposição do Irã em intensificar essa guerra de alto risco é sua maior arma. O regime tudo fará para se manter no poder.

Os primeiros seis dias da guerra custaram aos Estados Unidos US$ 12,7 bilhões. O Pentágono quer gastar mais US$ 200 bilhões. O petróleo a US$ 125 o barril não é mais uma fantasia iraniana.

Ao participar, em Bogotá, da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, Lula fez duras críticas à Organização das Nações Unidas (ONU):

“Estou indignado com a passividade dos membros do Conselho de Segurança. Não foram capazes de resolver o problema da Faixa de Gaza, do Iraque, da Líbia, da Ucrânia, do Irã”.

Sem citar Trump diretamente, Lula também o criticou:

“Não é possível que alguém pense que é dono de outros países. O que fazem com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? […] Onde estão as armas químicas de Saddam Hussein?

Os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2023 sob a desculpa de que o país acumulava armas químicas. Era mentira. O regime caiu. Os Estados Unidos queriam o petróleo iraquiano.

Pela ordem, as cinco maiores reservas de petróleo do mundo estão na Venezuela (303 bilhões de barris), Arábia Saudita (297 bilhões), Canadá (168 bilhões), Irá (208 bilhões) e Iraque (145 bilhões).

 

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