A crise da herança maldita: o fim do eixo Ibaneis Rocha-Celina Leão

Esquenta a temperatura política no Distrito Federal

atualizado

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DANIEL FERREIRA/METRÓPOLES @danielferreirafoto
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1 de 1 ibaneis-e-celina1 - Foto: DANIEL FERREIRA/METRÓPOLES @danielferreirafoto

O cenário político do Distrito Federal sofreu uma fratura aparentemente definitiva. Uma troca de farpas públicas marcou a ruptura entre Ibaneis Rocha (MDB), candidato ao Senado, e Celina Leão (PP), sua ex-vice e atual candidata ao governo. O que era vendido como uma transição pacífica virou uma guerra aberta. Ibaneis veio a público manifestar suas “decepções” com a aliada, mas, em resposta firme, Celina rebateu: “Sucessão nunca será submissão”.

O verdadeiro estopim desse divórcio é o avanço devastador do escândalo do Banco Master. Celina tenta demarcar autonomia para se distanciar de Ibaneis, ciente de que o ex-governador lhe deixou uma herança envenenada e um rombo bilionário. A gestão de Ibaneis atuou como fiadora da suspeita investida do Banco de Brasília (BRB) para comprar o Banco Master. A injeção de liquidez na instituição privada de Daniel Vorcaro acabou barrada pelo Banco Central (BC) que, posteriormente, decretou a liquidação extrajudicial do banco.

O cerco jurídico e moral contra Ibaneis se fechou, principalmente após a prisão de ex-dirigentes na Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF). A delação premiada de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi o golpe final. Não é por acaso que, nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, Ibaneis aparece apenas na quarta ou quinta colocação.

As críticas a Ibaneis ganham contornos severos em Brasília. Ele insistiu em avalizar transações reprovadas por órgãos de controle. Relatórios do Coaf apontaram movimentações suspeitas milionárias conectadas a escritórios de advocacia ligados ao ex-governador. Além disso, mensagens interceptadas pela PF revelaram Ibaneis cobrando celeridade na transação e antecipando estratégias para conter o desgaste público inevitável.

Esse uso irresponsável do maior banco público local drenou o caixa do DF. Por causa disso, a nova gestão foi obrigada a cortar até 25% dos gastos de custeio. Ao declarar que “cada um tem um CPF”, Celina resumiu o isolamento do ex-aliado.

Ibaneis planejava uma marcha confortável rumo ao Senado. Agora, vê-se sitiado politicamente e enredado em suspeitas de corrupção sistêmica. A tentativa do MDB de ensaiar reações é o espasmo de um grupo político decadente, do qual Celina quer se afastar.

A conta bilionária deixada pela desastrada administração de Ibaneis chegou, e ninguém quer pagar por ela. Ibaneis promete lançar um candidato ao governo para impedir a eleição de Celina. Haverá troco: Celina guarda forte munição para abatê-lo de vez, se esse for o caso.

 

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