Que comecem os jogos: a aposta pela delação de Vorcaro
No “pacto” da toga, a aposta é que Vorcaro blinde ministros e entregue outras cabeças
atualizado
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É sabido que parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal, seja de qual grau for, podem exercer a profissão jurídica.
Não é ilegal. Mas vamos combinar que pega mal.
Isso porque o mercado de influência está presente, independente de boas intenções. Em Brasília, existe um novo capítulo desse enredo.
Relatório de Inteligência Financeira (RIF) emitido pelo Coaf indica que o escritório de advocacia de Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, recebeu R$ 281 mil em 10 parcelas de uma empresa de consultoria contratada pelo Banco Master e pela JBS. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, essa consultoria – a Consult – foi contemplada com aportes que totalizam R$ 18 milhões.
Em nota enviada ao Metrópoles, a Consult confirma ter pago R$ 281 mil por serviços prestados pelo escritório de Kevin de Carvalho Marques.
Segundo a nota, o valor “corresponde à devida remuneração pela prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica realizados pelo profissional à companhia entre os anos de 2024 e 2025”.
E não é um caso isolado, como temos acompanhado (pesquise).
Mas agora, com Vorcaro preso e pronto para fazer a delação, não é difícil imaginar que a insônia está presente nos Poderes.
A dúvida que paira no ar é: Daniel Vorcaro terá coragem de entregar, se for o caso, ministros do STF?
A lógica do poder diz que não. Ninguém morde a mão de quem pode abrir a porta da cela. É provável que sua “delação sincera” poupe as togas e se concentre em entregar outras cabeças para garantir benefícios.
Mas o material que ele detém, ao que tudo indica, é explosivo. A Polícia Federal está avançada. Já abriu um dos oito celulares do banqueiro e o que vem por aí promete consolidar o Caso Master como o maior escândalo financeiro da história do país.
No entanto, conhecendo as engrenagens do poder, a aposta de quem observa Brasília há décadas é na autoblindagem do Supremo. A não ser que algo escape totalmente ao controle, os ministros tendem a se proteger entre si, enquanto o banqueiro faz sua “limpeza” em outros setores.
O país assiste a tudo isso com o estômago embrulhado…e com altas expectativas.
Peguem a pipoca.


