Que comecem os jogos: a aposta pela delação de Vorcaro
No “pacto” da toga, a aposta é que Vorcaro blinde ministros e entregue outras cabeças
atualizado
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É sabido que parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal, seja de qual grau for, podem exercer a profissão jurídica.
Não é ilegal. Mas vamos combinar que pega mal.
Isso porque o mercado de influência está presente, independente de boas intenções. Em Brasília, o novo capítulo desse enredo “Suprema Árvore Geneálogica” atende pelo nome de Kevin de Carvalho, filho do ministro Nunes Marques. Documentos do COAF revelam que ele recebeu R$ 18 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro e da JBS por “consultorias” que o órgão classificou como incompatíveis com a realidade financeira da empresa.
E não é um caso isolado, como temos acompanhado (pesquise).
Mas agora, com Vorcaro preso e pronto para fazer a delação, não é difícil imaginar que a insônia está presente nos Poderes.
A dúvida que paira no ar é: Daniel Vorcaro terá coragem de entregar, se for o caso, ministros do STF?
A lógica do poder diz que não. Ninguém morde a mão de quem pode abrir a porta da cela. É provável que sua “delação sincera” poupe as togas e se concentre em entregar outras cabeças para garantir benefícios.
Mas o material que ele detém, ao que tudo indica, é explosivo. A Polícia Federal está avançada. Já abriu um dos oito celulares do banqueiro e o que vem por aí promete consolidar o Caso Master como o maior escândalo financeiro da história do país.
No entanto, conhecendo as engrenagens do poder, a aposta de quem observa Brasília há décadas é na autoblindagem do Supremo. A não ser que algo escape totalmente ao controle, os ministros tendem a se proteger entre si, enquanto o banqueiro faz sua “limpeza” em outros setores.
O país assiste a tudo isso com o estômago embrulhado…e com altas expectativas.
Peguem a pipoca.


