Puro acaso: a mágica semana de Flávio Bolsonaro e da Câmara

Uma semana onde a pauta legislativa e o cenário eleitoral pareceram dançar, curiosamente, no mesmo ritmo.

atualizado

Compartilhar notícia

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
O presidente da Câmara, Hugo Motta, retoma a sessão plenária após o deputado Glauber Braga ser retirado a força e da continuidade à análise do projeto de lei da Dosimetria – metrópoles 5
1 de 1 O presidente da Câmara, Hugo Motta, retoma a sessão plenária após o deputado Glauber Braga ser retirado a força e da continuidade à análise do projeto de lei da Dosimetria – metrópoles 5 - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Na política, dizem que coincidências não existem, mas o que assistimos na primeira semana de dezembro foi uma sucessão de fatos tão sincronizada que desafia o acaso. Foi uma negociação pública em tempo real, onde a moeda de troca foi explicitada em entrevista para quem quisesse ouvir.

​E a resposta institucional parece ter vindo no mesmo compasso.

​Após meses tentando emplacar um “passe-livre” para atos golpistas, a narrativa da anistia perdeu fôlego — e a extrema-direita, credibilidade. Foi preciso, então, recorrer a uma visita ao líder preso na Polícia Federal: Bolsonaro.

​O relógio das “coincidências” começou a correr no exato momento em que Flávio Bolsonaro, após conversa com o pai, anunciou sua própria candidatura à Presidência para 2026.

​O movimento soou estranho para muitos, já que Tarcísio de Freitas (Republicanos) era tratado como o nome natural do campo conservador. Mas Flávio não estava apenas se lançando; ele estava criando alavancagem.

​A jogada ganhou contornos transparentes quando o senador soltou a frase que definiu a semana: “tenho um preço”. O recado de que negociaria estava dado.

​Ao colocar sua candidatura na mesa, ele ameaçou dividir os votos da direita. A resposta política foi imediata: apenas dois dias depois do “preço” estipulado, a Câmara dos Deputados, sob a batuta de Hugo Motta, acelerou e aprovou o PL da Dosimetria.

​Com o texto aprovado na noite de terça-feira (9/12), a tensão diminuiu instantaneamente. Não por acaso, logo após a votação, o tom de confronto interno na direita arrefeceu, como se um acordo tácito tivesse sido selado.

​O momento, agora, é de observar a cena com olhos atentos. Se olharmos o conjunto da obra, a aprovação da lei não veio sozinha. O cenário sugere um “pacote” mais amplo, onde a blindagem institucional no Conselho de Ética caminha lado a lado com a nova legislação.

​É impossível não notar a disparidade de tratamento dentro da Casa. Enquanto a Câmara impõe um rigor célere e, para muitos, desproporcional contra o deputado Glauber Braga, a memória da instituição parece falhar convenientemente diante de episódios graves da própria base conservadora.

​Onde estava esse mesmo rigor quando a extrema-direita sequestrou, literalmente, a mesa da presidência em atos de baderna explícita? A régua, pelo visto, muda de tamanho dependendo de quem está sendo medido.

​A proteção se estendeu, “coincidentemente”, aos nomes mais influentes do bolsonarismo. Carla Zambelli, que viu seu mandato por um fio após condenação pelo STF, assistiu à ameaça de cassação virar fumaça. O mesmo clima institucional paira sobre Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, até agora intocados.

​Em Brasília, o timing raramente é inocente. No fim, o “preço” de Flávio — se for mesmo este — não garantiu apenas a redução da pena do pai. Ele parece ter incluído uma anistia prática, não escrita na Constituição, mas executada no dia a dia do plenário: a garantia de que, para eles, a lei e o decoro são apenas sugestões.

​E Hugo Motta desidrata a olhos vistos. Ao menos por enquanto.

Entenda:

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?