Pela anistia, a desfaçatez de Eduardo Bolsonaro não tem fronteiras
Do exterior, Eduardo Bolsonaro pede união e apoio a Flávio, mas o pano de fundo é o desespero de um clã que vê na anistia sua única salvação
atualizado
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Eduardo Bolsonaro, o filho que vive um autoexílio estratégico para escapar das garras da justiça brasileira, resolveu ressurgir com um figurino novo: o de pregador da união.
É de uma desfaçatez constrangedora.
Logo ele, que passou anos insuflando o ódio, tratando adversários como inimigos a serem eliminados e exaltando torturadores da ditadura militar, agora pede “senso de responsabilidade” aos brasileiros para eleger o irmão, Flávio.
Pois é. No mundo de fantasia dos Bolsonaro, a união só existe se for em torno da própria sobrevivência.
O discurso, claro, é pura manipulação. Eduardo tenta vender a ideia de que o Brasil vive uma “página sombria” de censura, enquanto omite que o pai está preso justamente por tentar rasgar a Constituição e impor um golpe de Estado.
Para os bolsonaristas, liberdade de expressão é a liberdade de mentir, caluniar e conspirar contra a democracia sem ser incomodado. Pedir apoio para Flávio Bolsonaro em nome de uma suposta anistia não é patriotismo; é um plano de fuga familiar disfarçado de projeto político.
O uso da fé cristã para validar essa empreitada é o ponto mais baixo do espetáculo. É para além de surreal ver quem armou a população, flertou com milícias e atacou a ciência durante uma pandemia posar agora como defensor de valores cristãos.
Agora, foragidos ou acuados, tentam usar a memória curta de parte do eleitorado para se passarem por vítimas. O Brasil já conhece esse roteiro e sabe onde ele termina.
A união que eles pregam é, na verdade, um pacto de impunidade.
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