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Partido de Bolsonaro quer cassar mandato de Gleisi, presidente do PT

PL entrou no Conselho de Ética por petista ter reagido a bolsonarista com a expressão "vontade de dar um tapa", após ofensas à Lula

02/06/2022 02:00, atualizado 02/06/2022 09:36
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Gustavo Moreno/ Metrópoles
Brasília(DF), 23/02/2022 Luciana Lima entrevista Presidente do PT Nacional, Gleisi Hoffmann, na redação do portal Metrópoles. Foto: Gustavo Moreno/ Metrópole

O clima da disputa presidencial tomou conta do Congresso. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, entrou com  com uma representação no Conselho de Ética contra a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do PT e coordenadora da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.

O PL entrou com a representação há uma semana e ontem o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) numerou o pedido e encaminhou ao Conselho de Ética. Será a representação de número 23 no colegiado.

Valdemar pede a cassação do mandato de Gleisi e a acusa de quebra de decoro parlamentar por ter reagido a uma provocação de uma bolsonarista contra Lula. Num vídeo, dentro de um hotel, a petista aparece afirmando: “dá vontade de ir lá e dar um tapa”, se referindo à manifestante aliada de Jair Bolsonaro. 

Esse fato ocorreu há um mês, em 5 de maio, mas agora o PL entrou com a ação na Câmara. A manifestante filma os petistas, o presidenciável presente, e grita: “Lula nunca mais”.

Gleisi reagiu: “Por quê você não vai embora?!”. A manifestante, então, se dirige a petista: “Você também, nunca mais!”. Em seguida, a frase do tapa.

Valdemar lista três supostos crimes cometidos pela petista na ameaça a manifestante: crime de ameaça (a vontade de dar um tapa), vias de fato (ataque ou violência que não resulte em lesão corporal) e lesão corporal leve (ofensa à saúde ou lesão ao corpo de alguém).

A atitude da manifestante, cujo nome sequer é citado na acusação contra Gleisi, é apresentada pelo PL como exercício da liberdade de expressão.

“A conduta da representada (Gleisi) é manifestamente ilegal e incompatível com o decoro que se espera de uma parlamentar, pois importa em ameaça inconcebível contra o exercício, por uma cidadã, do direito à livre manifestação e, mais ainda, mostra-se incompatível com o decoro parlamentar”.

Diz ainda que a petista tentou constranger ilegalmente uma “manifestação política legítima”, com repercussão nacional.

“Não pode ficar sem uma resposta enérgica desse parlamento, sob pena de se associar o ato de Gleisi aos demais parlamentares, levando a crer que um deputado pode fazer uso de atos de constrangimento, abusando de prerrogativas e imunidades e ameaçando terceiros com agressão física”.