O risco de subestimar o verniz de Michelle Bolsonaro
Enquanto o PT aposta no desgaste de Flávio, o carisma religioso de Michelle pode blindar o “01” nas urnas.
atualizado
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Jair Bolsonaro logo estará de volta ao Jardim Botânico, ao que tudo indica, mas quem terá que carregar o piano da política prática é Michelle Bolsonaro.
Se antes ela podia se dar ao luxo de torpedear alianças – como tentou fazer no Ceará contra Ciro Gomes -, agora a realidade da “coleira” de Alexandre de Moraes sobre o marido a obriga a um pragmatismo forçado. Bolsonaro terá tempo de sobra em casa para situar a aliada (que é também esposa): ou ela entra de cabeça na campanha de Flávio, ou o projeto do clã desmorona.
Michelle não é apenas a “vice do capitão”, ela é hoje uma das maiores cabos eleitorais do PL. Sua influência na eleição de Damares Alves foi a prova de fogo que deixou o governador Ibaneis Rocha em alerta. Michelle quer uma bancada feminina para chamar de sua, mas para isso precisará engolir a seco e ao menos fingir entusiasmo na campanha do enteado, Flávio, o candidato que o PT afirma que vai “desmoronar”.
O desdém dos aliados de Lula com a ascensão de Flávio nas pesquisas pode ser um erro de cálculo que ignora o fator Michelle. Ela é o verniz religioso e carismático que Flávio não possui. Se ela decidir, mesmo que sem entusiasmo real, abraçar a candidatura do “01”, o “alvo fácil” que o PT imagina pode se tornar um osso muito mais duro de roer.
O silêncio que ela adotou recentemente não é ausência, é estratégia. Michelle sabe que, com Bolsonaro vigiado e restrito, ela é a única peça do tabuleiro que pode circular livremente e negociar passes na janela partidária.


