O novo TSE de Nunes Marques contra a mentira das urnas
Com seus indicados no comando, bolsonaristas perdem o argumento para atacar o sistema eleitoral
atualizado
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Muito se falou sobre o convite enviado pelo ministro Nunes Marques a Jair Bolsonaro e Fernando Collor para a sua posse na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Houve quem visse ali um gesto político, mas a realidade é bem mais enfadonha: trata-se apenas de liturgia.
O protocolo dos tribunais superiores exige que todos os ex-presidentes sejam convidados, sem distinção. De Sarney a Dilma, passando pelos que estão presos ou em domiciliar, todos recebem o envelope. É a regra do jogo, e Nunes Marques apenas cumpriu o rito para o qual foi empossado.
Na verdade, isso é o que não importa. A notícia boa mesmo é que poderemos ver como os bolsonaristas vão se comportar agora que a narrativa sobre urnas caiu por terra. O comando da Justiça Eleitoral está nas mãos de dois ministros indicados por Jair Bolsonaro – Nunes Marques na presidência e André Mendonça na vice -, o discurso de “perseguição” e de “sistema fraudulento” não vai mais colar.
Como é que o gabinete do ódio vai sustentar que as urnas não são confiáveis se os xerifes do processo são os mesmos homens que o “Capitão” escolheu para o Supremo? Qualquer ataque à lisura do pleito de 2026 será, por tabela, um ataque à competência e à honra de Nunes Marques e de Mendonça. Os bolsonaristas agora estão encurralados pela própria escolha: ou aceitam o resultado que seus indicados vão chancelar, ou fingem “traição” para os mais iludidos – aqui, seguem da mesma forma: um ataque unificado ao STF como um todo. A única bandeira.
O comando do TSE ganha a chance de retirar o oxigênio da mentira. A política brasileira entrega essa ironia fina: Bolsonaro deu ao tribunal os nomes que, no final das contas, blindam o sistema contra os delírios de sua própria base. A democracia agradece o xeque-mate.


