O leilão de Alcolumbre: um Messias por alguns golpistas
Entre o dia 29 e o dia 30, o Senado negocia o futuro do Supremo e o passado dos golpistas
atualizado
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Davi Alcolumbre finalmente abriu a gaveta. A marcação da sabatina de Jorge Messias para o STF, após cinco meses de um cerco impiedoso, é o desfecho de um jogo duplo. O senador, que se comporta como o verdadeiro síndico do Congresso, decidiu que era hora de cobrar o condomínio.
O cenário é de uma coincidência exemplar: no dia 29, o Senado interroga Messias para a Suprema Corte. No dia 30, o mesmo Congresso se reúne para derrubar o veto de Lula e reduzir as penas dos condenados pelo 8 de janeiro. É o “efeito Alcolumbre” em sua plenitude: estende-se a mão ao Planalto para aprovar o ministro e, logo em seguida, afaga-se o bolsonarismo.
Dizem as más línguas que Jorge Messias não teria os 41 votos necessários. Mas no balcão de Alcolumbre, a aritmética é outra. Com Valdemar Costa Neto e Ciro Nogueira sinalizando apoio, e o “terrivelmente evangélico” André Mendonça atuando como cabo eleitoral de luxo, o caminho parece pavimentado pela conveniência.
O país assiste ao Supremo ser completado por um escambo de vetos e anistias – quando, até ontem, a escolha do presidente bastava para iniciar a sabatina.


