O banho de loja de Flávio Bolsonaro

Em estreia na pesquisa Quaest, senador atropela Tarcísio com o dobro de votos e adota tom pragmático: aperta mão de Lula, mas isola Moraes.

atualizado

Compartilhar notícia

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsaki
Senador Flávio Bolsonaro após visitar o pai, Bolsonaro, que está preso na superintendência da Polícia Federal. -113
1 de 1 Senador Flávio Bolsonaro após visitar o pai, Bolsonaro, que está preso na superintendência da Polícia Federal. -113 - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsaki

A divulgação da nova pesquisa Quaest nesta quarta-feira (17/12) fez mais do que apenas apontar a liderança de Lula para 2026, ela expôs a nova hierarquia da direita brasileira.

Com Jair Bolsonaro preso e inelegível, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atropelou as expectativas em torno de Tarcísio de Freitas. Com 23% das intenções de voto no primeiro turno, o senador deixa para trás o governador de São Paulo, que amarga apenas 10% quando testado no confronto direto.

O resultado é um pesadelo para Tarcísio — e para a turma que o queria como protagonista. Preso na “armadilha da lealdade” e sem capital político para desafiar o clã sem virar traidor, ele vê o Palácio do Planalto comemorar. Para o governo, enfrentar um Bolsonaro com rejeição de 62% e sem a máquina pública na mão é o cenário dos sonhos.

Sentindo o vento a favor, Flávio começou a calibrar o discurso. A ordem é clara: diferenciar o Executivo do Judiciário. Em entrevista a Léo Dias, o senador surpreendeu ao adotar uma civilidade pragmática com Lula, enquanto mantinha a artilharia pesada contra o STF.

“Eu sou uma pessoa educada. Apertaria a mão do Lula, não tem problema nenhum. Agora, eu não apertaria a mão do algoz do meu pai, Moraes”, disparou.

A tradução desse recado é simples: Flávio quer institucionalizar a disputa contra o PT (tornando-se aceitável para o sistema político), mas manter a militância radical mobilizada através do ódio a Alexandre de Moraes, colocando-se como vítima ao deixar um “perdão” não solicitado no colo do ministro.

O exemplo mais didático dessa postura — e talvez o mais cruel — aconteceu nesta semana, no lançamento do SBT News. O evento virou um microcosmo da polarização: de um lado, o ataque de Zezé Di Camargo à emissora e às filhas de Silvio Santos; do outro, o pragmatismo frio de Flávio.

Enquanto o cantor se queimava publicamente em nome da ideologia, o senador mantinha a postura institucional e não embarcou no boicote. Mais uma vez, o clã avança deixando um soldado ferido para trás.

O senador, agora, tenta se portar como estadista, engolindo sapos para se viabilizar. É o seu “banho de loja”. Resta saber se essa tática de bom moço cola ou se a rejeição herdada do pai será um teto de vidro blindado demais para quebrar.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?