Natal em Fuga: O balanço do “procura-se” bolsonarista em 2025

​De prisões no Paraguai a agressões na Itália, o cerco fecha o ano com cassações e o fim do refúgio para o bolsonarismo.

atualizado

Compartilhar notícia

NOVAS THUMBS_20251228_040130_0000
1 de 1 NOVAS THUMBS_20251228_040130_0000 - Foto: null

O Natal de 2025 encerra um ciclo inicial de três anos para o bolsonarismo. Se em outros tempos as fronteiras eram vistas como escudos, este fechamento de ano consolidou um “efeito dominó”. O que vemos agora é o fim da hospitalidade estrangeira, celas internacionais e um movimento desesperado de sobrevivência política que tenta saltar por cima das grades.

A imagem que define a semana é a de Silvinei Vasques. O ex-diretor da PRF, condenado a mais de 24 anos por tentativa de golpe e por usar a estrutura policial para interferir nas eleições de 2022, protagonizou a fuga mais comentada da temporada. Na madrugada de 25 de dezembro, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e cruzou a fronteira paraguaia, tentando chegar a El Salvador. A aventura terminou no Aeroporto de Assunção em 26 de dezembro; detido com documentos falsos, Silvinei foi entregue às autoridades brasileiras e já se encontra no Complexo da Papuda.

Em Roma, a situação de Carla Zambelli atingiu o ápice da tensão. Condenada a 10 anos pela invasão dos sistemas do Judiciário — onde forjou um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes —, a deputada vive um isolamento severo no presídio feminino. Relatos confirmados por sua defesa indicam que Zambelli foi vítima de agressões físicas por outras detentas em pelo menos duas ocasiões. O clima hostil forçou o pedido de transferência de cela por risco à integridade física. No Brasil, Zambelli renunciou ao cargo na última sexta-feira (26) para tentar preservar seus direitos políticos, embora permaneça presa aguardando o processo de extradição.

Nos Estados Unidos, o clima é de incerteza para os “moradores de Miami”. Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, é oficialmente um foragido, condenado a 16 anos pela trama golpista. O golpe de misericórdia veio em 19 de dezembro, quando a Câmara cancelou os passaportes diplomáticos de Ramagem e de Eduardo Bolsonaro. Eduardo, que perdeu o mandato por excesso de faltas enquanto fazia política nos EUA, agora se vê sem imunidade e sem documentos oficiais. Sem o “escudo de Brasília”, ambos dependem da boa vontade da justiça americana para não serem deportados.

No meio deste turbilhão jurídico, a política tenta se reorganizar. No dia 25 de dezembro, uma carta de Jair Bolsonaro — escrita à mão e lida por seu filho em frente ao hospital onde o ex-presidente (atualmente preso) passou por cirurgia — oficializou Flávio Bolsonaro como seu herdeiro político para 2026. A movimentação tenta manter o controle do espólio político, mas esbarra na postura de Tarcísio de Freitas. O governador de São Paulo mandou seu recado mais recente: declarou-se “fiel, mas não submisso”, sinalizando que o figurino de presidenciável está pronto, com ou sem o aval exclusivo do clã Bolsonaro.

O ano termina com a justiça brasileira provando que a distância geográfica é apenas um adiamento do inevitável. O cerco fechou, e o mapa da direita para 2026 começa a ser desenhado não somente em Brasília, mas também nas salas de visita dos presídios.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?