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Michelle Bolsonaro é submissa no post e candidata no Diário Oficial

Entre um creminho e uma oração, a "enfermeira da nação" Michelle Bolsonaro ignora a epidemia de feminicídio

07/05/2026 08:00, atualizado 07/05/2026 23:55
Divulgação
Michelle Bolsonaro discursa durante evento/ Metrópoles

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem um raro senso de oportunidade, mas não para o que é urgente. No dia em que o país acorda com números vergonhosos sobre a escalada do feminicídio, ela decide ignorar a tragédia coletiva para encenar um drama particular. Em suas redes sociais, Michelle postou uma ode à domesticidade, narrando como cuida do “seu velho” – o marido em prisão domiciliar – enquanto passa creme em suas costas para evitar escaras pelo tempo de internação.

O tom é de uma “santa” intencional. Ao mesmo tempo em que se apresenta como a guardiã dos valores tradicionais, Michelle tenta vender a ideia de que o “maior ministério” de uma mulher é a sua própria casa. É uma contradição ambulante: prega o recolhimento doméstico enquanto pavimenta, a cada passo medido, sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Se o lugar da mulher é em casa cuidando do marido, sua ambição política é um “pecado”.

Michelle não diz uma palavra sobre denúncias de agressão ou proteção às mulheres. Prefere a narrativa da submissão. Para quem defende que o lar é o limite do agir feminino, o conselho que fica é simples: se o ministério é a casa, que fique nela. O Brasil precisa de políticas públicas e de coragem para denunciar agressores, não de pregações que confinam a mulher ao silêncio do quarto e ao serviço braçal da devoção matrimonial.

O trabalho de cuidar de um enfermo é meritório, decerto. Mas não cola a história de que este é o trabalho mais respeitável da vida de uma mulher. O trabalho mais importante de uma mulher é exercer sua liberdade, seus direitos e não se calar diante da barbárie.

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Ah, sim: ela é presidente do PL Mulher. Detalhes, detalhes.