Lula, Trump e o choque das popularidades
Fragilidade interna de Trump pode dar a Lula o fôlego necessário para enfrentar um encontro marcado por incógnitas
atualizado
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O encontro entre Lula e Donald Trump na Casa Branca promete ser tudo, menos previsível.
Mas há um detalhe que as fotos oficiais não mostram: Lula pode chegar a Washington em uma posição de relativa vantagem. Enquanto o incumbente americano amarga uma desaprovação crescente e corre o risco real de perder o controle da Câmara e do Senado, o brasileiro ostenta índices de popularidade mais sólidos.
É o encontro de um Lula fortalecido com um Trump que, apesar da pompa, parece um gigante de pés de barro.
A análise de bastidor revela o nervosismo que toma conta do clã Bolsonaro. Eduardo, Flávio e Carlos vivem um dilema digno de tragédia grega. Eles precisam que Trump ajude a alavancar a candidatura de Flávio – o “Bolsonarinho”, como apelidou Fernando Haddad -, mas tremem de medo que o americano exagere na dose. Se Trump hostilizar Lula ou declarar apoio aberto a Flávio de forma grosseira, dará de volta ao petista o palanque da “soberania nacional” de presente.
Flávio Bolsonaro, que andou pelo Texas pedindo “monitoramento” das eleições brasileiras, repete o roteiro do pai ao tentar lançar dúvidas sobre a lisura das urnas. O fato é que Flávio é um sobrenome. Sem o pai e sem a sombra de Trump, dificilmente seria levado a sério como candidato à presidência. O “Bolsonarinho” tem um telhado de vidro fantástico e sabe que qualquer passo em falso de seu padrinho americano pode virar o feitiço contra o feiticeiro.
O humor de Trump no dia do encontro será o fiel da balança. Ele já submeteu líderes a vexames públicos e, em ano eleitoral, o acaso e o erro têm mais peso que qualquer diplomacia.
Aguardamos, com expectativa, o resultado desse encontro. A química será renovada?


