Lula cobra reação sobre “paternidade” do Caso Master
Lula diz que não vai deixar governo levar a culpa pelo escândalo do Master, o “ovo da serpente de Bolsonaro” e cobra atitude de aliados
atualizado
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A política brasileira está prestes a entrar em um de seus períodos mais turbulentos, e o termômetro é o suor frio que escorre na testa de gente que se achava intocável.
Com a proximidade das eleições, o espectro de uma delação premiada de Daniel Vorcaro coloca em xeque o futuro de figurões que podem estar desfilando pelo Congresso e demais Poderes.
Lula, sentindo o cheiro de queimado e o que, segundo ele, é uma tentativa da extrema-direita de empurrar a conta do Banco Master para o colo do governo (e do PT), resolveu subir o tom.
O presidente não quer repetir o erro da vacilação. Em um recado direto aos aliados e à oposição, ele foi enfático ao definir a origem do problema: “Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, presidente do Banco Central, e nós não deixaremos pedra sobre pedra”.
A diretriz no Planalto é clara: além de apoiar a investigação da PF, cobrar que a bancada governista saia da defensiva.
Segundo Lula, notas oficiais não bastam, é preciso dar nome aos bois e abrir a boca para deixar clara a paternidade do escândalo.
Enquanto isso, a lista de “amigos da vida” de Vorcaro se mostra cada vez mais extensa e variada.
O caminho da delação, porém, é traiçoeiro. Daniel Vorcaro enfrenta agora o que Ricardo Noblat chama de “a grande tentação”: o poder de escolher quem entregar e quem poupar.
No entanto, o exemplo de Antonio Palocci serve como um alerta fúnebre.
Mentiras ou omissões deliberadas para proteger cúmplices poderosos podem invalidar qualquer acordo. No fim das contas, a última palavra será do Supremo Tribunal Federal.
Se Vorcaro tentar jogar o jogo da seletividade, pode acabar com uma delação descredibilizada e uma pena longa a cumprir.
O jogo começou, e as peças que estão no tabuleiro podem não chegar ao fim do campeonato.


