Flávio Bolsonaro: a herança para evitar o esquecimento

Bolsonaro sabe: se entregar seus votos para um estranho, a grama crescerá na porta da cela. O clã é a única prioridade.

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Flávio Bolsonaro
1 de 1 Flávio Bolsonaro - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Na política, o carisma é o combustível que move as massas. Juscelino o tinha, Jânio Quadros o fabricava, e Lula e o próprio Jair Bolsonaro o possuem de sobra.

Flávio Bolsonaro, no entanto, surge como candidato não por brilho próprio, mas por uma conta pragmática e desesperada do pai: não deixar o espólio de votos cair em mãos alheias.

A escolha de Flávio é, na verdade, a “escolha de quem não tinha escolha”. Eduardo Bolsonaro, o filho que teria mais desenvoltura para o papel, se autoexilou na condição de réu ao tentar uma aventura atrapalhada de obstrução da Justiça via Estados Unidos. Já Carlos Bolsonaro, o estrategista digital da família, padece de uma instabilidade que o inviabiliza para o palco principal.

Sobrou Flávio, o senador que agora precisa carregar o piano da extrema direita.

O plano é claro: manter os cerca de 20% de votos bolsonaristas “puros” dentro de casa. O restante, que o coloca em empate técnico com Lula nas pesquisas, não é mérito de Flávio, mas sim o resultado do consolidado sentimento antipetista. É o voto de quem “não vota no PT nem que a vaca tussa” e que, na falta de um nome mais forte, acaba abraçando o herdeiro do clã.

Enquanto isso, a terceira via e outros nomes da chamada direita civilizada (se a virem por aí, registrem), assiste ao bonde passar. Ao demorarem para definir e se consolidar, deixaram o espaço aberto para que Flávio ocupasse o suposto vácuo. Agora, articulam-se dobradinhas improváveis, como o flerte de Flávio com Sérgio Moro, numa tentativa de complicar a vida de quem ousa desafiar a hegemonia bolsonarista na direita.

Bolsonaro sabe que, se entregar seus votos para um estranho, a grama crescerá na porta da sua cela. Ele precisa de um filho no jogo para garantir que o telefone continue tocando e que a militância não se disperse.

Na política familiar dos Bolsonaro, a sobrevivência do clã vem antes da competência do candidato. E claro, o país não é prioridade.

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