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Federação partidária de esquerda ainda é enigma

Nos bastidores, cabo de guerra entre PT e PSB

atualizado

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1 de 1 PT - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

São complexas as tratativas para a formação de uma federação partidária entre os partidos de esquerda. Como definir uma linha programática comum e ainda acomodar disputas nacionais, estaduais e municipais durante quatro anos? PT, PSB, PSOL e PCdoB desejam entrar nesse barco, mas cada um navega com necessidades próprias.

Essa trama ainda tem outra pergunta chave. Quem aceitará ficar quatro anos sob as asas de Lula e do Partido dos Trabalhadores? Barganhar com a maior legenda de esquerda do país sempre foi tarefa árdua. Em muitos casos, os acordos beiravam a submissão.

O PT precisa formar uma base parlamentar de esquerda para sustentar seu governo, caso Lula vença as eleições. Se hoje esse bloco é composto por cerca de 90 deputados, o partido prevê conquistar quase o dobro com a federação. Não seria o suficiente para reger o Congresso, mas não seria o sufoco dos tempos de Dilma.

Das legendas menores, o PCdoB é o mais interessado – para não dizer desesperado – nessas negociações, pois tem a cláusula de barreira em seus calcanhares. Se não atingi-la na próxima eleição – 2% dos votos nacionais ou 11 deputados em 9 estados diferentes – pode dizer adeus ao fundo partidário. Para não depender só do PT, conversa com PV e PSB separadamente – onde as negociações parecem ser mais promissoras.

O PSOL alcançou a cláusula de barreira nas últimas eleições e dialoga com o PCdoB e Rede. Internamente, o partido resiste a debater o assunto com o PT, porque há muitas questões programáticas que os distanciam. E, no caso de um governo do PT e seus acordos com o Centrão, essa distância se aprofundaria. Quer se manter como baluarte da esquerda.

Todos esses partidos iniciaram as negociações com o PSB antes do PT. Os socialistas se fortalecem cada vez mais como alternativa para a esquerda frente às imposições e a soberba dos petistas. Mas é um partido com força em poucos estados. A federação com partidos pequenos poderia impulsionar sua presença no país, mas questões programáticas dificultam os acordos.

Já no debate PT-PSB repete-se a ladainha da chapa Lula-Alckmin, caso o ex-tucano se filie ao partido. Sem resolver as disputas regionais, não há possibilidade de federação. E de novo, São Paulo e Recife deixam as conversas na corda bamba.

Muitos políticos devem sentir saudades das coligações, acordos efêmeros que duravam uma campanha eleitoral. Unidos pela urna, separados pouco tempo depois, quando a governabilidade se torna insustentável. A federação exige um compromisso muito maior. E além disso, caso os partidos quebrem o acordo antes dos quatros anos, podem ser punidos, ficando sem acesso ao fundo partidário e à propaganda na televisão. É preciso cautela e cálculo.

Todos os partidos estão negociando. Mas a formação de uma federação partidária de esquerda está tão distante quanto a ideia da terceira via. O tempo é escasso. Tudo deve ser acordado até abril.

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