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Entenda o “golpe do painel”: como a oposição fabricou vitória na CPMI do INSS

​CPMI do INSS: Saiba como a oposição fabricou uma vitória simbólica usando o quórum nominal contra a realidade do plenário.

atualizado

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Geraldo Magela/Agência Senado
CPMI – INSS – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS
1 de 1 CPMI – INSS – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O senador Carlos Viana resolveu reeditar uma modalidade clássica da política brasileira: o atropelo regimental com verniz de legalidade. Ao presidir a comissão que investiga o INSS, Viana operou uma contagem de votos que desafia a lógica.

Ele cravou que a oposição venceu por sete votos a zero, ignorando solenemente os 14 parlamentares governistas que estavam de pé, em protesto, diante de seus olhos.

A “matemática criativa” de Viana explorou uma prática comum dos bastidores de Brasília: parlamentares “batem o ponto” eletrônico no painel para garantir o quórum e logo saem da sala para outras reuniões ou para o café, enquanto aguardam sua vez na fila de votação.

Viana ignorou a norma regimental que é clara: em votações simbólicas, o que vale é a maioria física dos presentes no recinto, e não o quórum nominal do sistema. Ele usou os 31 nomes logados para exigir uma maioria de 16 votos — embora tenha se confundido ao pedir 15 —, sabendo que, no plenário real, só havia 21 parlamentares. Como o governo tinha 14 votos ali presentes, a vitória era clara, mas o senador preferiu contar com um quórum fantasma para soterrar a aritmética.

A estratégia do barulho foi deliberada.

Ao empacotar 87 requerimentos em uma votação única e proclamar o resultado sob gritos de protesto, a oposição garantiu a manchete instantânea nas redes sociais. O tumulto não foi um acidente, mas o método para criar o fato consumado: a imagem da “vitória” viraliza muito antes de qualquer recurso jurídico ser analisado.

O cinismo da manobra reside em usar esse drible técnico para validar uma “derrota” do governo que, na prática, é nula. O objetivo não é investigar fatos – tarefa que a PF já desempenha -, mas sim produzir barulho eleitoral. Não é de hoje que as CPIs têm se transformado em palcos de desvio de finalidade, onde o interesse é vazar dados e alimentar a guerra cultural.

É preciso notar que o embate no plenário não era um esforço para barrar a investigação da Polícia Federal sobre o filho do presidente Lula. Essa investigação segue seu rito técnico e já obteve no Judiciário as quebras de sigilo necessárias.

O que se viu foi a defesa da integridade das regras da Casa contra um “tapetão” que tentava validar no grito o que não conseguiu no voto.

Agora, “Inês é morta”: vale mais o simbólico do que os fatos.

E, sim, a batata quente cai no colo de Davi Alcolumbre. Cabe à cúpula do Senado decidir se o regimento vale o que está escrito ou se o truque de Viana passará sem punição.

A corrida desesperada por votos para 2026 sai da timidez e se mostra para o mundo.

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