“Nós contra Eles” (por Ricardo Guedes)

O país clama hoje por soluções ao meio, cansados da polarização que, economicamente, se mostrou infrutífera

atualizado

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Planalto Imagem colorida de Lula discursando - Metrópoles
1 de 1 Planalto Imagem colorida de Lula discursando - Metrópoles - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

“Nós contra Eles” é tudo o que o Brasil não precisa. Primeiro, porque precisamos de agregação para resolver nossos problemas. Segundo, porque o atual estado do Brasil se deveu à ineficiência do Governo, e não à “Eles”. Terceiro, porque o “Nós contra Eles” não irá resolver o problema eleitoral do PT para 2026, somente agravará, devido à falha na economia do “Nós”. Infrutífera estratégia.

O PIB do Brasil não aumenta há 14 anos. Dados do FMI mostram que o PIB do Brasil em dólares correntes era de US$ 2,21 trilhões em 2010, US 2,17 trilhões em 2024, projeção de US$ 2,13 trilhões para 2025. Nos Estados Unidos, US$ 15,05 trilhões em 2010, US 29,18 trilhões em 2024, projeção de US$ 30,05 trilhões para 2025. Na China, US$ 6,14 trilhões em 2010, US$ 18,75 trilhões em 2024, projeção de US$ 19,23 trilhões para 2025. Na União Europeia, US$ 14,65 trilhões em 2010, US 19,41 trilhões em 2024, projeção de US$ 19,99 trilhões para 2025. O PIB avança no mundo, mas não sobe no Brasil.

Em 2024, o PIB do Brasil subiu, em moeda nacional, 3,4%, segundo o IBGE. Mas desvalorização cambial em 2024 foi de 21,82%, com a inflação oficial de 4,83%, bem acima da taxa de crescimento. E em 2024, o preço dos alimentos básicos subiu muito acima da inflação, 7,69% segundo o IBGE para alimentos e bebidas, 14,22% para a Cesta Básica segundo a Associação Brasileira de Supermercados. Ou seja, o crescimento do PIB brasileiro em moeda nacional em 2024 não gerou benefícios para a população.

Lula, neste governo Lula III, perdeu a oportunidade de criar uma política econômica de desenvolvimento para o país, como ocorreu em Lula I e II. Toda vez que um país se desenvolve significativamente, é implementada uma política econômica que case nova demanda com nova oferta, como ocorreu em Lula I e II com a introdução dos programas sociais, por um lado, e crédito subsidiado para as indústrias então ociosas, por outro lado, com o PIB crescendo de US$ 0,51 trilhão em 2002 para US$ 2,21 trilhões em 2010, com a agregação do país em solução pelo centro. Tanto o Governo de Bolsonaro como o Lula III não geraram desenvolvimento econômico.

Nas pesquisas, Lula encontra-se com a média de 28% de aprovação de seu Governo (ótimo + bom), muito abaixo dos 55% necessários para a sua reeleição líquida, muito abaixo dos 40% necessários para concorrer. O país clama hoje por soluções ao meio, cansados da polarização que, economicamente, se mostrou infrutífera até o momento. Soluções ao meio, que venham da direita, do centro, ou da esquerda, mas que venham.

O “Nós contra Eles” é decretar o próprio fim.

 

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus.

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