Ciro Nogueira, a “Emenda Master” e a renúncia que virou piada de salão
Entre hotéis de luxo e textos redigidos por banqueiro, a palavra empenhada de Ciro Nogueira derrete sob o sol das investigações
atualizado
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Ciro Nogueira, o homem que já teve a chave do cofre no governo Bolsonaro, agora está trancado no lado de fora de uma investigação que cheira a enxofre. O senador do Piauí, que um dia teve o desplante de prometer renúncia caso surgisse qualquer denúncia “comprovada”, palavra que ele sussurrou timidamente em vídeo, como quem já antecipava o abismo, agora vê o seu nome no centro do escândalo do Banco Master.
A Polícia Federal não traz apenas suposições, mas o rastro de uma mesada que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.
A propina paga pelo banqueiro Daniel Vorcaro não era por caridade, mas sim uma troca de serviços. A PF descobriu que Vorcaro, hoje preso e tentando uma delação premiada que o ministro André Mendonça ainda vê com desconfiança, redigia ele próprio emendas à Constituição que Ciro, com a maior cara de pau do mundo, apresentava no Senado.
O objetivo? Beneficiar bancos pequenos, como o Master, mudando as regras do Fundo Garantidor de Crédito. Era a Constituição brasileira vendida em troca de diárias de luxo em Nova Iorque e cartões de crédito ilimitados.
A trama de Ciro Nogueira é um retrato da volúpia do poder sem freios. Ele se tornou sócio de Vorcaro em negócios imobiliários onde a vantagem negocial chegava a R$ 12 milhões – um “negócio de pai para filho” que incluía até o irmão, a ex-mulher e as filhas do senador na boca livre.
Enquanto Vorcaro tenta entregar tubarões ainda maiores para não voltar à Papuda, Ciro Nogueira se cala (assim como seus aliados). A denúncia que ele queria “comprovada” está nos celulares apreendidos do banqueiro, onde o dinheiro não fala, mas as mensagens gritam.
Para quem prometia olhar o povo do Piauí nos olhos, o senador agora prefere as sombras. A ética de Ciro, como se vê, custa caro para o país, mas foi comprada a preço de saldo por um banqueiro.


