Brasil assume Mercosul para valorizar bloco e discutir acordo com UE
Governo brasileiro quer selar compromissos em infraestrutura, defesa e saúde
atualizado
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Sonho antigo da esquerda, a integração dos países sul-americanos promete ganhar uma nova etapa com o Brasil assumindo, na próxima terça-feira, a presidência temporária do Mercosul até o final do ano. O presidente Lula deseja priorizar as relações do bloco e selar compromissos em infraestrutura, defesa e saúde. Mas nessa primeira reunião, destaque para os entraves do acordo com a União Europeia.
Após 10 anos de negociações, os blocos chegaram a um documento conjunto em 2019, o primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, que ainda não foi assinado. Um dos impasses reside em uma carta apresentada pelos europeus em março, que estipula sanções em caso descumprimento de cláusulas ligadas à defesa do meio ambiente. Lula subiu o tom e classificou-as como “inaceitáveis”. A expectativa é que o Brasil escreva uma resposta e apresente-a aos outros integrantes do bloco para uma discussão.
A reunião de Cúpula começa hoje com a Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum no Hotel Meliá, dentro do Parque Nacional Iguaçu, onde ficam as cataratas. Hoje também se reúnem ministros da Economia e presidentes de Bancos Centrais. Na terça, deve ocorrer a transmissão oficial da presidência do bloco.
Ainda nessa relação, Lula quer rever artigo que privilegia empresas europeias quando contratadas pelo poder público. Alberto Férnandez, presidente da Argentina, já acenou ser contrário à proposta, e pede proteção às indústrias nacionais. Ainda tramitam debates sobre acordos entre o bloco Canadá, Singapura, Indonésia e Vietnã. Deve voltar também à mesa o acordo comercial bilateral entre Uruguai e China, defendido pelo presidente Luis Alberto Lacalle Pou e duramente criticado na última cúpula.
Tema que dominou nosso noticiário recentemente, a reintegração da Venezuela ao bloco ficará fora da pauta dos presidentes. Apesar do esforço pessoal de Lula em reabilitar a imagem do governo Maduro, o assunto está longe de ser unanimidade e provocaria desgastes.
Entre outros compromissos, o Brasil quer debater uma tarifa comum para criar uma alternativa ao dólar em transações comerciais e políticas comuns nos setores energético, farmacêutico, automotivo e infraestrutura. Uma possibilidade mais distante é uma Cúpula Social para debater desenvolvimento e desigualdade, que está paralisada há seis anos.


