Bolsonaristas que atacaram Moro, hoje o defendem para atingir Lula
Deputados aliados de Bolsonaro que criticaram o ex-ministro quando ele deixou o governo, em 2020, o usam agora contra o petista
atualizado
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O nome de Sergio Moro foi citado 61 vezes em discursos dos deputados na tarde de ontem no plenário da Câmara. Lula, 135 vezes. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, 51 vezes.
Essas citações estiveram na boca de bolsonaristas, que aproveitaram a coincidência de uma fala infeliz de Lula sobre Sergio Moro para associar o nome do presidente de alguma forma, ou com alguma ilação, à operação da Polícia Federal de ontem, que desmantelou uma ação programada para atingir autoridades, entre as quais o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e ex-juiz da Lava Jato.
E o curioso foi que deputados aliados de Bolsonaro que atacam Moro desde sua saída do governo rompido com o presidente, em abril de 2020, até a eleição de 2022 agora o defendem e o usam para atingir Lula e até mesmo pedir seu impeachment.
O deputado Bibo Nunes (PL-RS), por exemplo, protocolou ontem um pedido de impeachment contra Lula por esse episódio envolvendo Moro e o PCC. Chamou o petista de “presidiário” e “descondenado”. Mas, em abril de 2020, no auge da briga entre Moro e Bolsonaro, Nunes contou que estava decepcionado com o ex-ministro e o criticou, à época:
“E dizer que quase fui a luta corporal na Câmara, defendendo Moro dos malucos do PSol”.
Hoje líder do PL na Câmara, Carlos Jordy (RJ) discursou ontem, saiu em defesa de Moro e afirmou que “um processo de impeachment caberia muito nesse caso”. Mas quando Moro desistiu de ser candidato à Presidência, em 2022, Jordy o atacou:
“Uma barata tonta tem mais norte que a terceira via”.
Eduardo Bolsonaro saiu em defesa árdua do pai quando Moro deixou o governo atacando o então presidente de interferir na Polícia Federal. À época, Eduardo listou as “mentiras” contadas por Moro:
“Acho que alguém viu muito aquele filme ‘O Mentiroso’. (se referindo a Moro). Jurou que Bolsonaro cometeu crime, foi desmentido pela própria Polícia Federal. Jurou que ia preservar sua biografia, se queimou com o povo que o respeitava. Jurou há dias que não desistiria (de ser candidato a presidente), desistiu”.
Mas, ontem, Eduardo foi outro que usou o episódio que agora atinge Moro para atacar Lula e o PT.
“Quem tem a cabeça um pouquinho no lugar consegue entender que somente pessoas que combatem o crime, ou que combatem a esquerda, ou, às vezes, que combatem os dois, o que dá no mesmo, é que sofrem esse tipo de coisa (atentado). Em 2002, foi assassinado o prefeito Celso Daniel (do PT, de Santo André). Em 2018, houve a facada no presidente Bolsonaro, perpetrada por um ex-membro do PSOL, o Adélio Bispo. E, agora, em 2023, houve essa tentativa de assassinato” – disse Eduardo.


