Bolsonaristas que atacaram Moro, hoje o defendem para atingir Lula

Deputados aliados de Bolsonaro que criticaram o ex-ministro quando ele deixou o governo, em 2020, o usam agora contra o petista

atualizado

Compartilhar notícia

Igo Estrela/Metrópoles
senador Sergio Moro (União-PR) fez, na tarde desta quarta-feira (22:3), um discurso na tribuna do Senado Federal para falar sobre o plano de execução pelo PCC 2
1 de 1 senador Sergio Moro (União-PR) fez, na tarde desta quarta-feira (22:3), um discurso na tribuna do Senado Federal para falar sobre o plano de execução pelo PCC 2 - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

O nome de Sergio Moro foi citado 61 vezes em discursos dos deputados na tarde de ontem no plenário da Câmara. Lula, 135 vezes. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, 51 vezes.

Essas citações estiveram na boca de bolsonaristas, que aproveitaram a coincidência de uma fala infeliz de Lula sobre Sergio Moro para associar o nome do presidente de alguma forma, ou com alguma ilação,  à operação da Polícia Federal de ontem, que desmantelou uma ação programada para atingir autoridades, entre as quais o ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e ex-juiz da Lava Jato.

E o curioso foi que deputados aliados de Bolsonaro que atacam Moro desde sua saída do governo rompido com o presidente, em abril de 2020,  até a eleição de 2022  agora o defendem e o usam para atingir Lula e até mesmo pedir seu impeachment.

O deputado Bibo Nunes (PL-RS), por exemplo, protocolou ontem um pedido de impeachment contra Lula por esse episódio envolvendo Moro e o PCC.  Chamou o petista de “presidiário” e “descondenado”. Mas, em abril de 2020, no auge da briga entre Moro e Bolsonaro, Nunes contou que estava decepcionado com o ex-ministro e o criticou, à época:

“E dizer que quase fui a luta corporal na Câmara, defendendo Moro dos malucos do PSol”.

Hoje líder do PL na Câmara, Carlos Jordy (RJ) discursou ontem, saiu em defesa de Moro e afirmou que “um processo de impeachment caberia muito nesse caso”. Mas quando Moro desistiu de ser candidato à Presidência, em 2022, Jordy o atacou:

“Uma barata tonta tem mais norte que a terceira via”.

Eduardo Bolsonaro saiu em defesa árdua do pai quando Moro deixou o governo atacando o então presidente de interferir na Polícia Federal. À época, Eduardo listou as “mentiras” contadas por  Moro:

“Acho que alguém viu muito aquele filme ‘O Mentiroso’. (se referindo a Moro). Jurou que Bolsonaro cometeu crime, foi desmentido pela própria Polícia Federal. Jurou que ia preservar sua biografia, se queimou com o povo que o respeitava. Jurou há dias que não desistiria (de ser candidato a presidente), desistiu”.

Mas, ontem, Eduardo foi outro que usou o episódio que agora atinge Moro para atacar Lula e o PT.

“Quem tem a cabeça um pouquinho no lugar consegue entender que somente pessoas que combatem o crime, ou que combatem a esquerda, ou, às vezes, que combatem os dois, o que dá no mesmo, é que sofrem esse tipo de coisa (atentado). Em 2002, foi assassinado o prefeito Celso Daniel (do PT, de Santo André). Em 2018, houve a facada no presidente Bolsonaro, perpetrada por um ex-membro do PSOL, o Adélio Bispo. E, agora, em 2023, houve essa tentativa de assassinato” – disse Eduardo.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?