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Donald Trump acusou falsamente Zohran Mamdani, candidato do Partido Democrata para as eleições autárquicas de Nova Iorque, de ser um imigrante ilegal e ameaçou prendê-lo caso ele impedisse as detenções de imigrantes na cidade. Mamdani, que venceu recentemente as primárias democratas para a câmara de Nova Iorque, nasceu emo Uganda e mudou-se para Nova Iorque aos sete anos, vivendo lá desde 1998. Tornou-se cidadão dos Estados Unidos por naturalização em 2018.
Numa conferência de imprensa realizada nesta terça-feira (2), durante a inauguração de um novo centro de detenção de migrantes nos Everglades, na Flórida — apelidado de “Alcatraz dos Jacarés” —, Trump respondeu às declarações de Mamdani, feitas no seu discurso de vitória, em que prometia “impedir agentes mascarados do governo de deportar os nossos vizinhos”. Trump afirmou: “Então, teremos de o prender. Não precisamos de um comunista neste país. Mas se temos um, vou estar a vigiá-lo muito atentamente em nome da nação.” O presidente também fez alegações falsas sobre o estatuto de cidadania do candidato: “Vamos vigiar isso com muito cuidado. Muita gente está a dizer que ele está aqui ilegalmente. Vamos investigar tudo”, escreveu o The Guardian.
Em resposta, Mamdani publicou no X: “O Presidente dos Estados Unidos acabou de ameaçar prender-me, retirar-me a cidadania, colocar-me num campo de detenção e deportar-me — não por ter violado qualquer lei, mas porque me recuso a deixar que agentes do governo aterrorizem a nossa cidade. As suas declarações não são só um ataque à nossa democracia, mas uma tentativa de intimidar todos os nova-iorquinos que se recusam a viver nas sombras: se falares, eles virão atrás de ti. Não aceitaremos esta intimidação.”
Além da ameaça de retirada de cidadania e possível detenção, Trump ameaçou cortar o financiamento federal à cidade de Nova Iorque caso Mamdani vença as eleições. Em entrevista à Fox News, citada pelo The Guardian, Trump qualificou uma eventual vitória de Mamdani como “inconcebível”, descrevendo-o como “um comunista puro”. “Digamos o seguinte — se ele for eleito, eu serei Presidente, e ele vai ter de fazer o que está certo, ou não receberão dinheiro nenhum”, afirmou.
A polêmica sobre o estatuto de cidadania de Mamdani ocorre num contexto de ataques islamofóbicos crescentes, intensificados desde a sua vitória nas primárias democratas para a presidência da câmara de Nova Iorque.
Esta situação ocorre também num momento em que, segundo o jornal britânico, a Administração Trump ordenou aos seus advogados que priorizassem a revogação da cidadania de naturalizados envolvidos em crimes, conforme um memorando do Departamento de Justiça que orienta os procuradores a abrir processos contra quem tenha obtido a cidadania “de forma fraudulenta” ou por “omissão de factos relevantes ou declarações falsas deliberadas”.
(Transcrito do PÚBLICO)


