Três “E SE”? (por Cristovam Buarque)

E SE, em 2022, a oposição tivesse se unido e apresentado um candidato único, capaz de barrar a continuação deste governo antipatriótico?

atualizado

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1 de 1 Mão votando na urna - Eleições - Foto: Gui Prímola/Metrópoles

E SE, em maio de 1888, ao lado do artigo único “É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil”, a Princesa Imperial tivesse acrescentado um segundo artigo “Fica estabelecido um Sistema Único Nacional de Educação em todo o território nacional”? Certamente o Brasil seria outro. Todos os descendentes de escravos teriam sido educados, quebrando a desigualdade, o racismo, a economia brasileira teria maior produtividade, aumentando e distribuindo a riqueza de todos, a sociedade teria coesão e rumo, o país não teria pobreza.

E SE, em março de 2020, ao tomar conhecimento da epidemia que se espalhava pelo mundo, o presidente tivesse feito um discurso em cadeia nacional dizendo que o Brasil estava ameaçado de ser invadido por um vírus e que, a partir daquele instante, as divergências políticas ficariam de lado, todos os brasileiros estavam convocados para defender a vida de cada brasileiro? Chamasse os líderes partidários, os ex-presidentes, cientistas, profissionais de saúde para um mutirão em defesa do país. Reunisse os líderes políticos de todos os partidos, governadores de todos os estados, deixasse de lado as divergências e unisse esforços e conhecimento científico para defender o Brasil. Assumisse que o papel do presidente é liderar os esforços de todos para impedir a invasão do território nacional por um vírus assassino e que esta guerra seria ganha por profissionais da ciência com o apoio de todos, da mesma forma que se a invasão fosse por tropas estrangeiras, a guerra seria ganha por soldados profissionais com o apoio de todos.

Foi uma sorte que, há 133 anos, uma princesa estadista percebeu a necessidade de abolir a escravidão que amarrava o Brasil; pena não ter percebido que a Abolição precisaria de educação de qualidade para todos igualmente. Pena que, hoje, o presidente sem espírito de estadista não percebe o risco da invasão que se aproxima de matar meio milhão de brasileiros, mantem sua postura de dividir o Brasil entre os seus próximos, por sangue ou por interesse político, de um lado, e os outros brasileiros, de outro; além de manter a visão medieval de recusa ao conhecimento científico para enfrentar um inimigo brutal.

Daqui a algumas décadas, talvez os historiadores se perguntem: “E SE, em 2022, a oposição tivesse se unido e apresentado um candidato único, capaz de barrar a continuação deste governo antipatriótico e obscurantista, incapaz de sentir o interesse nacional e entender o papel da ciência, enxergando apenas o pequeno círculo de associados políticos, seus familiares e seus milicianos?”

Os dois primeiros “E SE” já passaram. são históricos, mas o terceiro não. Ainda é tempo.

Cristovam Buarque foi ministro, senador e governador

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