Transplante de cérebros (por Eduardo Fernandez Silva)

Os franceses retiraram as cabeças de seus dirigentes

atualizado

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Foto colorida de mão segurando hashi, que está com cérebro em miniatura - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de mão segurando hashi, que está com cérebro em miniatura - Metrópoles - Foto: Dvulikaia/Getty Images

Os franceses retiraram as cabeças de seus dirigentes. Não sou tão radical; defendo transplantes de cérebros em quase todos. Alguns dirão que isso é impossível, pois vários nem cérebro têm! Objeção muito comum, mas incorreta. Se não tivessem cérebros, não estariam a nos dirigir e a nos prejudicar, como usualmente fazem.

Mudar-lhes os cérebros é necessário pois a maneira como pensam e agem é danosa a todos. Quase 100% dos dirigentes, de qualquer sexo, são pouco escrupulosos, arrogantes, gananciosos, desconhecem a compaixão e não se importam em prejudicar terceiros para obter benefício pessoal. Bajulam os superiores e enganam com frequência. Não admitem seus erros, atribuindo-os sempre a terceiros. Além destas características, apresentam muitas outras sociopatias, entre elas o pensamento limitado ao curto prazo, vale dizer, às próximas eleições ou ao balancete mensal. Com dirigentes assim dotados, como esperar que o “bem comum” possa ser alcançado?

Daí a necessidade de promover o transplante dos cérebros. Se a medicina ainda não realiza tal transplante, há que buscar outras formas de mudar-lhes as cabeças. É possível, mas não terá o meu apoio, que a guilhotina volte a ser usada!

Nosso país, assim como todo o planeta, desde por volta de 1970 não melhora de forma significativa ou permanente as condições de vida da maioria; ainda hoje cerca de 70% dos humanos tentam sobreviver com menos de US$10,00/mês! E os dirigentes continuam a fazer as mesmas coisas, na expectativa de obter resultados diferentes! Todos os nossos problemas, por mais urgentes que sejam, como a fome e as mudanças climáticas, só terão soluções a longo prazo. São questões complexas, sem receitas prontas, exigindo experimentação. Solucioná-las exigirá humildade para reconhecer erros, criatividade, ousadia, compaixão, colaboração, generosidade, foco no longo prazo, vale dizer, nas próximas gerações, e no coletivo, em oposição ao interesse pessoal. Alguém consegue citar dez dirigentes, de órgãos públicos ou empresas, no Brasil ou em outro local, que se destacam por tais qualidades? Mesmo na direção de igrejas é muito raro encontrar alguém que pratique essas virtudes.

O mundo mudou, e nossos dirigentes, ainda que com novas caras e nomes, continuam com as mesmas cabeças há séculos! Entramos no antropoceno, a idade geológica em que as ações humanas se tornaram uma força moldando a biosfera, retirando desta as condições de suporte à vida. Há que inverter esse padrão, aprender com as muitas civilizações já desaparecidas e evitar seus erros.

Não sabemos tudo que é necessário para tão profunda mudança de rumo, mas sabemos algo do que precisa ser feito, com urgência: parar de queimar combustíveis fósseis, de desmatar, de incentivar o consumo conspícuo, alterar a dieta dominante, reduzir o consumo de carne e o poder das corporações, auxiliar quem tem fome, distribuir renda, elevar impostos sobre os muito ricos, entre outros.

Com as cabeças dos atuais dirigentes, será improvável encontrar um caminho que não guerras e genocídios.

 

Eduardo Fernandez Silva. Ex-Diretor da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados

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