
Teoria dos Jogos e a Teoria dos Grupos Sociais (por Ricardo Guedes)
Conversei com um amigo, engenheiro, filósofo, de profunda imersão na Teoria dos Jogos, sobre de como se comportam os grupos sociais

Na Teoria dos Jogos, de John Nash, desenvolvida na década dos 1950, os jogos podem ser “soma 0 (zero)”, quando um ganha e o outro necessariamente perde, e vice versa, como na final da Copa Mundial de Futebol; “soma +1”, quando o lucro de um somente ocorre juntamente com o lucro do outro, em soluções coletivas, como no trânsito; e “soma -1”, quando todos necessariamente perdem, como no caso de uma guerra atômica.
No “Dilema do Prisioneiro”, onde a dois prisioneiros incomunicáveis entre si são levadas propostas de denúncia um do outro, sendo solto quem denunciar com pena máxima para o outro, ou no caso de não denúncia por ambas as partes se procede à manutenção de suas penas mínimas; na dúvida em relação ao que o outro vai fazer e na expectativa de quem sabe ser libertado, a tendência de ambos é a de procederem à denúncia, com soluções negativas para ambas as partes. O “Equilíbrio de Nash”, ou a “Armadilha de Nash”, como também muitas vezes referenciado, leva à posições equivalentes ao stalemate no xadrez, com equilíbrio negativo estável. Situação também caracterizada pelo provérbio popular, de que “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.
O “equilíbrio” seria mais um “desequilíbrio”, ou uma “teoria do caos”? É um “equilíbrio”, do ponto de vista lógico-matemático; um “desequilíbrio” ou “armadilha”, do ponto de vista psicológico-individual; e uma “teoria do caos”, do ponto de vista político-social. Não do caos previsto nos jogos “soma -1”, impreterivelmente destrutivo para os dois lados, mas da “negatividade relativa”, ou, se assim pudermos denominar, da “armadilha” relativa e contínua, na representação da média das relações humanas do que se pode chamar de a “inconha” social.
Gary Backer, em “Human Capital”, na década dos 1960, foi o primeiro economista a aplicar a microeconomia às relações humanas e à família, na formação de uma “cesta de serviços” intencional a serem trocados entre as partes, que inclui o amor, o afeto, a segurança, bens, e serviços, em uma ação racional; mas que quando um falha, ou muda de objetivos, todos sucessivamente também falham, caindo em soluções irracionais, que podem ser de relativa à mais intensa destruição. Na análise subsequente do custo-benefício do “o que fazer”, de se manter ou de se romper o pacto inicialmente previsto da “cesta de serviços”, na sequência do até onde se possa chegar, a segurança na manutenção da aposta inicial tende a prevalecer sobre a dúvida do futuro, com a manutenção das relações compatíveis com as situações equivalentes ao “Dilema do Prisioneiro” da Teoria dos Jogos, onde ações racionais levam a um resultado irracional. As decisões extremas de ruptura são apostas no escuro. O famoso “deixa estar, para ver como é que fica”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesGary Backer ganha o Prêmio Nobel em 1992 e John Nash o Prêmio Nobel de 1994.
E assim caminha a humanidade.
Ricardo Guedes é Formado em Física pela UFRJ e Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago

