Simone “sem medo”:Coragem assombra adversários (por Vitor Hugo Soares)
O aroma da coragem ética de Simone, no debate da Band, ainda paira no ar
atualizado
Compartilhar notícia

A candidata à presidência da República (MDB/PSDB/Cidadania) Simone Tebet – sem dúvida o nome de maior destaque e melhor desempenho no primeiro debate, da TV Bandeirantes (subiu 3 pontos na pesquisa Datafolha/TV Globo), entre seis candidatos ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano, domingo passado, que ainda repercute, principalmente nas campanhas – nem precisava dizer que “não tem medo de cara feia” como afirmou no dia seguinte, na entrevista coletiva que concedeu – para denunciar a saraivada de notícias falsas e as ameaças que começaram a circular nas redes sociais, e direto por telefone e mensagens na internet, desde que ela saiu da emissora do Morumbi, na visita a uma entidade israelita de cunho social em São Paulo. No debate em que pontuou com luz própri a, a senadora por Mato Grosso do Sul foi a própria síntese do primeiro mandamento do Decálogo do Estadista, de preceitos e princípios criados e deixados aos seus seguidores (a exemplo da própria Tebet), pelo gigante político e parlamentar, Ulysses Guimarães, de saudosa memória e artífice também, da Constituição cidadã de 1988: A CORAGEM.
Mesmo que sejam masculinos os exemplos citados no enunciado da norma basilar pregada pelo ex-deputado que presidiu a Câmara e foi referência no Congresso Nacional, até sua trágica morte na queda de avião no mar, em período dramático mas glorioso da luta pela redemocratização do Brasil – como tem mostrado em série brilhante e essencial trabalho jornalístico, o Jornal Nacional, esta semana –, o preceito se encaixa com perfeição no perfil da candidata do histórico Movimento Democrático Brasileiro, que teve em Ulysses um dos seus fundadores e mais emblemático guias.
Já o citei outras vezes, mas vale repetir no tempo temerário que atravessamos, nesta complicada quadra de transição de agosto para setembro, a um mês das eleições, e especialmente as presidenciais, assim como está em “Rompendo o Cerco”, livro de referência profissional e intelectual para mim, lançado em 1978, em seguida ao explosivo episódio dos cães enfurecidos açulados por PMs da Bahia contra o dirigente simbólico do MDB que, acompanhado de nomes de proa do partido – Tancredo Neves, Josafá Marinho, Newton Macedo Campos e outros – participava das comemorações do 13 de Maio, na Praça do Campo Grande, em Salvador.
“CORAGEM: O pusilânime nunca será estadista. Churchill afirmou que das virtudes a coragem é a primeira. Porque sem ela, todas as demais, a fé, a caridade, o patriotismo, desaparecem na hora do perigo. Há momento em que o homem público tem que decidir, mesmo com risco de sua vida, liberdade, impopularidade ou exílio. Sem coragem não o fará. Se Pedro I fosse ao Ipiranga para beber água, suas estátuas não se ergueriam nas praças públicas do Brasil. O medo tem cheiro. Os cavalos e cachorros sentem-no, por isso derrubam ou mordem os medrosos. Mesmo longe, chega ao povo o cheiro corajoso de seus líderes. A liderança é um risco, quem não o assume não merece esse nome”. Precisa desenhar?
Vale ainda assinalar. Pesquisas como a da Datafolha, esta semana parece confirmar Ulysses: o aroma da coragem ética de Simone, no debate da Band, ainda paira no ar. Isso pode produzir efeitos drásticos no rumo das campanhas – em especial na disputa Lula e Bolsonaro, que seguem à frente nas pesquisas. A começar pelo fato de que as presidenciais afunilam a olhos vistos para uma decisão só em segundo turno. O resto, a ver.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br


