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Rumo ao Hexa: a crise climática já mudou o jogo (por Mariana Caminha)

Ao que parece, pela primeira vez, o clima não será apenas o pano de fundo do espetáculo

Da Redação11/06/2026 11:13
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andreswd/Getty Images
Foto colorida de grupos de torcedores do Brasil em jogos de futebol - Metrópoles

Não se fala em outra coisa. A Copa do Mundo tomou conta das conversas, dos grupos de WhatsApp, das mesas de bar e, claro, da minha casa. Como mãe de dois meninos, um deles apaixonado por futebol, seria impossível ignorar o assunto. Mas, enquanto acompanhava a competição, me peguei pensando em uma pergunta curiosa: o que a Copa do Mundo tem a ver com mudanças climáticas? A resposta, descobri, é muito mais direta do que parece.

O fato é que os resultados da copa deste ano podem ser mais que a consequência do que acontece entre as quatro linhas do gramado.

Segundo uma análise publicada recentemente pela Bloomberg, algumas seleções chegarão ao torneio enfrentando um adversário invisível antes mesmo do apito inicial: o calor extremo. Quase um quarto das partidas será disputado em condições capazes de impor um estresse significativo ao corpo humano, mesmo para os atletas brasileiros, acostumados com o calor. E não é preciso ser exatamente um cientista para saber que temperatura e umidade elevadas podem reduzir o desempenho das seleções, aumentar a fadiga dos atletas e influenciar diretamente o resultado dos jogos.

Ao que parece, pela primeira vez, o clima não será apenas o pano de fundo do espetáculo.

E se isso acontece com atletas de elite, acompanhados por médicos, nutricionistas, preparadores físicos e tecnologia de ponta, fica a pergunta: o que pode acontecer com o resto de nós?

Voltando ao nosso assunto preferido, a Copa do Mundo oferece, hoje, uma oportunidade rara: traduzir a crise climática para uma linguagem que todo brasileiro entende.

Quando um jogador diminui o ritmo porque o corpo não consegue dissipar calor suficiente, estamos vendo uma consequência física do aquecimento global.

Quando uma partida precisa ser interrompida para hidratação, estamos assistindo à adaptação de um esporte centenário a uma nova realidade climática.

Quando especialistas discutem se determinados horários de jogos ainda são seguros, estamos falando da mesma questão enfrentada por professores, garis, agricultores e trabalhadores da construção civil.

O mais curioso é que o futebol sempre foi uma expressão da adaptação brasileira. Jogamos na praia, no barro, sob chuva torrencial ou sol escaldante. Aprendemos a improvisar. Eis o futebol arte. Aquele que conhecemos tão bem.

Mas a verdade é que existe um limite para a adaptação humana. Afinal, nenhuma estratégia tática muda a temperatura do ar. Nenhum esquema defensivo impede uma onda de calor.

Nem Ronaldinho Gaúcho, o Bruxo, conseguiria driblar as leis da física.

O calor que entra em campo na Copa do Mundo é o mesmo que já atravessa as cidades brasileiras todos os dias. A diferença é que, durante noventa minutos, bilhões de pessoas estarão olhando para ele.

Em 1994, suportamos o calor, vencemos a final e levantamos a taça do tetra. Agora, na corrida pelo hexa, vale lembrar que a temperatura subiu dentro e fora dos estádios. O futebol continua sendo o mesmo. O planeta, não.