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Reis não matam Reis (por Ricardo Guedes)

Sequestrar o presidente da Venezuela e matar o líder do Irã é a quebra de uma ética

Repórter de Artigos06/03/2026 13:00, atualizado 06/03/2026 12:37
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Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images
Donald Trump e a guerra no Irã

No filme “Cruzada” de Ridley Scott, Saladino, depois de ter sua irmã morta pelo Grão Mestre dos Cavaleiros Templários, pergunta ao Grão Mestre, quando aprisionado:

− “Você não sabe que Reis não matam Reis”?

Em seguida, Saladino executa o Grão Mestre dos Templários com o seu sabre.

Trump inaugurou o precedente de um Presidente executar outro, o Presidente de uma nação, seja ele um Presidente eleito conforme as democracias eleitorais, seja ele um Líder, um Tirano, um Ditador, um Déspota, ou o que seja.

Kant, em “A crítica da razão pura”, diz que a ética existe, como valor transcendental à nossa existência, como valores universais. Mesmo os pragmáticos, acreditam que as ações devam se conter dentro de certos limites, da ética social que põe limites às nossas ações, para a salvaguarda de todos.

A Guerra se alastra.

Erich Hartmann, condecorado piloto alemão da 2ª Guerra Mundial, diz que “a guerra é um local onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam, por decisão de velhos que se conhecem e se odeiam, mas não se matam”. Mesmo no final da 2ª Guerra Mundial, os Oficiais Nazistas que sobreviveram à Guerra foram levados a julgamento em Nuremberg, e não à execução sumária.

Ter sequestrado o Presidente da Venezuela e matado o Líder do Irã, é a quebra de uma ética, até hoje seguida nas relações internacionais, abrindo o precedente de que a todos possam vir a ser atingidos.

Ninguém mais é seguro, infelizmente.

E ninguém é imbatível.

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”