Razões de votos nas eleições de 2026 (por Antônio Carlos de Medeiros)

As rejeições políticas e a estadualização deverão ser as duas macrotendências na próxima eleição

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As rejeições políticas e a estadualização deverão ser as duas macrotendências das razões de votos nas eleições nacionais de 2026.

É contexto novo. Mas, é claro, a decisão final de voto do eleitor mediano na cabine eleitoral não deverá deixar de ser uma espécie de “mix” entre o emocional e o racional. Razões e emoções. Pragmatismo e símbolos e esperanças. Tem sido assim.

E em 2026? Aí entra o novo contexto.

Olhando o panorama hoje visto da ponte, é possível tecer fatos, intuições e tendências.

A macrotendência da rejeição à Política e aos políticos paira no ar. É um fenômeno cumulativo pelo menos desde 2013. Não é apenas um juízo e avaliação racional. É um acúmulo de frustrações, desilusões difusas, desesperança e desencanto.

Se dá no plano simbólico do vácuo e ausência de lideranças conectadas com a sociedade. Um clima político que perpassa as eleições e que aumenta as rejeições e desaprovações.

O efeito prático potencial é o aumento da alienação eleitoral (brancos, nulos, abstenções) e a fadiga de material dos líderes populistas.
A ausência de mitos e crenças que conectam líderes e sociedade e que fazem brotar a esperança e a luta pelo amanhã. Estão em falta: mitos, crenças e novos líderes.

Quase como um corolário da macrotendência da rejeição e desaprovação, cresce na sociedade a busca pelo perfil político de líderes com experiência e capacidade de gestão. Este fenômeno despontou claramente nas eleições de 2020 (prefeitos). Repetiu-se em 2024 (prefeitos). Deve se manifestar mais relevante em 2026.

Acopladas à busca da gestão e das entregas de serviços públicos estão duas outras tendências.

A rejeição e o cansaço com a polarização, convertida em preferência pelo Centro do espectro político e também em crescimento gradual de cosmovisão liberal social. Rejeição dos extremos.

A outra tendência é a estadualização da Política nos últimos anos, desde a pandemia da Covid19. Fortalecendo a diástole política e a descentralização. Protagonismo para governadores, prefeitos e parlamentares com Emendas parlamentares.

Aqui entra a dimensão racional do voto. Quem entrega políticas públicas e melhorias nas cidades via Emendas parlamentares conquista o voto do cidadão.

Ainda na dimensão racional, se acoplam também os efeitos da política econômica, para o bem ou para o mal: inflação, emprego, renda, carestia de alimentos – sensação de bem-estar (emocional e simbólico) ligada à melhoria real na vida e cotidiano das pessoas. Ou não.

Nesta dimensão estadual, os governadores tendem a ter mais protagonismo na busca e conquista do voto do eleitor. Com suas redes territoriais/locais e lideranças locais. A verticalização da clientela e voto, com efeito maior nas candidaturas majoritárias – presidente, senador, governador.

Mas também com influência nas eleições de deputados federais. São os votos dos federais que definem o volume dos fundos partidário e eleitoral para cada partido político.

Vem daí a crescente influência dos chamados “CEOs de partidos”, com suas máquinas partidárias de fundos e Emendas. A partidocracia brasileira. CEOs são os presidentes dos partidos, como se sabe.
E aí?

Para além da alienação, pode-se ver que haverá pressão eleitoral para a renovação – principalmente na Câmara Federal e no Senado da República. Só a renovação poderá diminuir a alienação. No plano dos deputados estaduais também há busca de renovação.
Tanto no plano federal quanto no plano estadual, os governadores e os CEOs de partidos políticos terão, agora mais ainda, influência nas escolhas das chapas para a formação de legendas competitivas. O alvo é mais renovação. E preservação dos fundos partidário e eleitoral.

As eleições gerais de 2026, é claro, terão dimensão nacional. Mas, a preços de hoje, não se vislumbra ainda a proverbial “nacionalização” das eleições, como, por exemplo, em 2002, em 2018 e também em 2022. A nacionalização das decisões e razões de votos deverão ser relativamente menores.

É forte a influência dos governadores bem avaliados. E são muitos. É forte também a influência dos prefeitos bem avaliados. E dos CEOs dos partidos.

É claro que a importância das redes sociais permanece relevante. As novas formas de comunicação vieram para ficar. Mas não deveremos repetir o fenômeno da supremacia das redes como em 2018. O eleitor está mais consciente da produção de narrativas contendo “fake News” e de promessas de influencers digitais promesseiros.

A sociedade está em busca da superação da sensação coletiva de decepção.

A fadiga de material das lideranças populistas é, ao mesmo tempo, real e simbólica, emocional e racional.

Haja “produção” de narrativas para derrotar/reverter a fadiga e gerar luz e esperança.

O país do futuro que não chega nunca. É esse o sentimento coletivo. No gogó não dá mais.

 

*Pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science.

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