Pesquisas qualitativas x quantitativas (por Ricardo Guedes)
Uma vez um amigo me perguntou se os grupos de discussão são “menos científicos” do que as pesquisas quantitativas
atualizado
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Toda ciência tem o seu espaço, segundo sua formulação, metodologia, e capacidade de previsão, como descrito nos trabalhos de Carl Hempel, “The Philosophy of Natural Sciences”, e Max Weber, “The Methodology of the Social Sciences”. As Ciências Físicas têm maior grau preditivo, pela maior simplicidade dos eventos a que se referem. As Ciências Sociais também apresentam capacidade preditiva, uma vez que definidos os conceitos a lógica rege os fenômenos, com menor alcance do que a Física devido ao fato de que o comportamento e os valores humanos mudam ao longo do tempo, havendo a necessidade de serem sucessivamente interpretados, no que Simon Schwartzman diz que as Ciências Sociais se caracterizam pelo “Dom da Eterna Juventude”
Os Grupos de Discussão decorrem das discussões em grupo feitas durante a 2ª Guerra Mundial na conversão da indústria de produtos para a indústria militar dos Estados Unidos, academicamente formulados pela primeira vez por Robert Merton em 1946, um dos maiores Sociólogos Americanos de todos os tempos.
As Pesquisas Quantitativas, que utilizam a teoria estatística em sua validação, não exata, segundo margem de erro e níveis de confiança para cada amostra, medem o equilíbrio do mercado, da oferta x demanda, tanto na economia como no voto eleitoral, de valor não preditivo, mas com as suas probabilidades do momento. Os Grupos de Discussão, como técnica etnográfica compreensiva, buscam entender os motivos subjacentes da ação e a “acelerar” as conclusões futuras, uma vez que toda a sociedade tenha discutido o que foi discutido nos Grupos, com a mesma intensidade e profundidade.
A lógica é a seguinte. O número básico de participantes em um Grupo de Discussão é, via de regra, de 8 (oito) a 12 (doze), na média de 10 (dez) participantes, na combinação de masculino e feminino, mais idade e menos idade, mais renda e menos renda, urbano e rural, e de outras características, cobrindo os protótipos sociais. Estudos, anteriores à internet, mostram que, para você chegar a uma pessoa qualquer no mundo, tomam 7 (sete) apresentações informais. Na teoria das redes, considerando-se que cada pessoa tem uma média de 10 contatos dia, na progressão geométrica de 10×10=100 e assim por diante, com 9 multiplicações chegamos ao número de 10 bilhões de pessoas, equivalente à da população da terra. Ou seja, um participante de um Grupo de Discussão traz em si a mediação de suas opiniões na cadeia social, representando a opinião de um protótipo social.
Em minha experiência, nunca vi um Grupo de Discussão, bem recrutado e bem moderado, que divergisse significativamente das Pesquisas Quantitativas. Muito pelo contrário, identificam possíveis tendências que o evento estatístico da Pesquisa Quantitativa não pode, metodologicamente, prever.
Sempre lembrando que a quantidade é uma expressão numérica da qualidade,
Ricardo Guedes é formado em Física pela UFRJ, Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago, e CEO da Sensus


