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Paz, crescimento e reformas são os desafios de Gustavo Petro

150 mil pessoas acompanharam sua posse em Bogotá

atualizado 08/08/2022 11:43

Reprodução

Gustavo Petro tomou posse como novo presidente da Colômbia no último domingo, em cerimônia realizada na Praça Bolívar, centro de Bogotá, com a presença de cerca de 150 mil pessoas. Nesse ciclo que se inicia, Petro tentará se aproximar do empresariado, pacificar o país contra a violência do narcotráfico e dissidentes de guerrilha e, sobretudo, cumprir as promessas progressistas de sua campanha.

Em seu discurso de posse afirmou que “hoje começa a Colômbia do possível”.  Mas a expectativa da população é mais do que o possível. Pesquisa da empresa Cifras e Conceptos apontou que mais de 84% dos cidadãos concordam com a reforma no sistema de saúde, a transição energética sustentável e o restabelecimento das relações com a Venezuela. Cada uma dessas ações têm seu tempo próprio e suas dificuldades. A questão é alcançá-las sem ferir o humor de uma população ávida por transformações sociais.

A representatividade já é uma realidade, a começar, claro, pela vice-presidente Francia Márquez, primeira negra no cargo, reconhecida pela defesa dos Direitos Humanos. A seu pedido, negros e indígenas ocuparam as primeiras filas dos convidados que acompanharam a cerimônia de posse. Dos quatorze nomes confirmados no novo gabinete, oito são mulheres.

José Antonio Ocampo, ministro da Economia, terá a missão de reduzir as desconfianças e impulsionar as relações com o empresariado. Ex-integrante da Cepal – Comissão Econômica para América Latina e Caribe – e ex-ministro da Fazendo durante o governo de Ernesto Samper (1994-1998), tem como desafio realizar uma de suas principais promessas de campanha, uma reforma tributária que diminua a concentração de riqueza no país. O projeto é arrecadar 50 bilhões de pesos a mais nos próximos anos.

Em alguns discursos, Petro tem falado em paz total e há novos caminhos para que isso se concretize. Dissidências das Farc e parte do Exército de Libertação Nacional (ELN) manifestaram interesse em negociar um cessar-fogo com o novo governo. Em carta divulgada no último dia 3 de agosto, esses dissidentes falam em criar um ” clima propício a um acordo bilateral de cessar-fogo” e “uma solução política para violência”.  Para combater o narcotráfico, o governo sinaliza benefícios judiciais para criminosos que abandonarem esses grupos. Na posse afirmou que é preciso deixar o discurso de “guerra às drogas” e adotar uma “prevenção ao consumo”

Como todo novo governante de esquerda a assumir um país sob o signo da mudança, Petro terá que manter sua base unida, sobretudo os jovens, onde o novo presidente abocanha 70% de apoio. As eleições agraciaram-no com uma boa maioria no Congresso, após a adesão do Partido Liberal. Mas somente com o Pacto Histórico, a coalizão vencedora, as chances de aprovar as reformas são restritas.

Sua transição energética sustentável, abandonando o petróleo, deverá ser mais midiática que econômica, pois há muitos acordos a serem respeitados na próxima década. A ministra do Meio Ambiente, Susana Muhamad, deve ser uma das protagonistas nesse confronto.

Segundo analistas, deve ser um início de governo pragmático. Tentará aprovar projetos rapidamente, ampliar os gastos sociais e manter um clima de esperança e mudança. Porque, como se viu no Chile de Gabriel Boric, a lua de mel com um novo governo pode durar menos de seis meses.

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