Os “swing voters” no Brasil (por Ricardo Guedes)

Em geral, o eleitor do Sul é o primeiro a se definir, seguido do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste. O Sudeste é o último a se definir

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Nos Estados Unidos, observa-se o conceito do “swing voter” nas eleições. Na tentativa de uma tradução para o português, o “swing voter” seria o eleitor que oscila no voto, ou que oscila a cada eleição, como um pêndulo para o equilíbrio do país.

O “swing voter” ora vota democrata, ora vota republicano. Trata-se de conceito muito diferente do que aqui chamamos de “indecisos”, ou seja, aqueles que não têm uma posição definida desde início das eleições e que podem vir a votar em um ou outro candidato. O “swing voter”’ é um eleitor decidido e consciente. Quando o país tende mais à direita, ele vota à esquerda. Quando o país tende mais à esquerda, ele vota à direita. Quando os democratas excedem em programas sociais diminuindo o lucro na economia, o eleitor vota republicano. Quando os republicanos aumentam excessivamente o lucro na economia diminuindo os programas sociais, o eleitor vota democrata.

São casos clássicos de “swing states”, ou estados pêndulos, cerca de 10 estados nos Estados Unidos, como Michigan, Indiana e Pensilvânia, por exemplo. O que acontece nos “swing states” acontece nos Estados Unidos, e vice-versa. Interessante observar que os “swing states” são estados que conjugam a indústria, a mineração, e a agropecuária, representando a média da economia americana. O Estado de Michigan, por exemplo, votou em Obama, Trump e Biden nas últimas eleições, com resultados nacionais equivalentes aos do Estado.

No Brasil, o estado de Minas Gerais é o ‘swing state” por excelência. São dois os principais indicadores. Primeiro, é nítido nas pesquisas eleitorais que a definição do voto no Brasil começa nos extremos geográficos do país, vindo progressivamente até sua definição última em Minas Gerais. Em geral, o eleitor do Sul é o primeiro a se definir, seguido do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste. O Sudeste é o último a se definir, e, dentro do Sudeste, Minas Gerais se define por último. Em segundo, quem vence no Brasil, vence também em Minas Gerais, e vice versa. Isto é verdade desde as eleições de 1950, quando Cristiano Machado, embora mineiro, ficou atrás de Getúlio Vargas e de Eduardo Gomes tanto no país quanto em Minas. Interessante observar que, como nos “swing states” nos Estados Unidos, Minas apresenta uma economia que conjuga a indústria, a mineração e a agropecuária no país. Nas eleições de 2014, os votos que faltaram a Aécio no Brasil constituem-se exatamente na diferença dos votos obtidos por Dilma em Minas Gerais. Nas eleições de 2018, Bolsonaro vence no Brasil e em Minas Gerais, com resultados equivalentes.

Nas pesquisas já realizadas, a rejeição de Bolsonaro chega a 60% no país, 65% em Minas Gerais. Apesar de pequenas variações nas pesquisas, o quadro é estável para Lula. Difícil a situação de Bolsonaro nas eleições de 2022.

 

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus

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