Os anjos estão de volta (por José Sarney)

Relancei três romances: “O dono do mar”, “Saraminda” e “A duquesa vale uma missa”

atualizado

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Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
José Sarney recebeu a medalha de Mérito Legislativo da Câmara
1 de 1 José Sarney recebeu a medalha de Mérito Legislativo da Câmara - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Meus queridos leitores, há dois dias, no Senado Federal, com uma Mesa prestigiada pelos Presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, relancei três romances meus, publicados há alguns anos, atendendo à sedução do convite da Editora Ciranda Cultural, pelo selo Principis, e ao meu desejo de que as novas gerações conhecessem um pouco da minha literatura, com essa vontade que é a de todos os escritores: ser lido.

Foi assim que agora reeditei essa coletânea com três romances, “O dono do mar”, “Saraminda” e “A duquesa vale uma missa”, pois me veio à cabeça que o romance carrega a temática maior, porque é o romancista que dá movimento à experiência humana na Terra.

Fiquei tão emocionado e envolvido no trabalho que revivi as entrelinhas que me ajudaram a construir meu mundo literário. Nele, o romantismo grita o que a minha alma nunca quis calar.

Bem sabemos que o romantismo foi um movimento que surgiu na Alemanha no século XIX e influenciou todas as esferas das artes e da cultura, transformando-se até em estilo de vida. O mundo ali ganhava outras cores, o novo pedia passagem. E passava.

Chegou a outros países da Europa e fez nascer em seu bojo grandes nomes. Quem não se recorda de Lorde Byron e Shelley, na Inglaterra? Estes ingleses sabiam extrair da vida o suco que ainda nos oferece em suas obras primas — e ele é amargo e doce na medida exata. Na França, Madame de Staël, sistematizou esse novo credo e o difundiu para novas terras. Madame de Staël, sim, a que suscitou suspiros do grande pianista polonês Frederico Chopin. De Portugal chegou ao Brasil.

Na música, nas artes plásticas, na arquitetura, na literatura, o romantismo exerceu sua influência. Criou até um estilo de vida, nos homens, nas cidades. Passou a ser quase um estado de espírito: o amor idealizado quase sempre inalcançável.

O credo romântico presta culto aos “suspiros e saudades”, à idealização do Amor (com maiúscula), a um certo tipo de sofrimento compadecido. Ele chega a ser uma visão de mundo, um sistema de valores, uma ideologia. O grande expoente da poesia romântica é Lamartine, depois surgiram outros, exprimindo-se em diferentes idiomas.

No Brasil, o primeiro romântico foi Gonçalves de Magalhães, que publicou uma obra, em 1830, com o sugestivo título de Suspiros e saudades e, numa incursão exótica, acompanhou o duque de Caxias, sendo o cronista da Balaiada.

Mais do que escola ou corrente artística, o romantismo é um modo de ser e de exprimir-se, chega a ser uma ideologia que se imprimiu em tudo que somos, trazendo reflexos até mesmo na política. Nos anos 60, os movimentos de retorno à natureza, o culto ao natural, a busca de viver em pequenas comunidades longe dos grandes centros urbanos, as “aventuras” de um Che Guevara, que apregoava a revolução sem perder jamais a ternura — todas essas manifestações têm um certo sabor romântico.

Depois do auge dessa onda romântica, viveu-se a visão de um mundo que abandonava esses valores e caminhava rumo à máquina para abandonar a Terra e ser passageiro de naves espaciais em busca de novos mundos. Júlio Verne dominou essas visões. Chaplin, em Tempos modernos, sintetizou a predominância da máquina sobre os homens — mas ele mesmo era o mendigo a entregar aquela flor que é mais do que uma flor, em Luzes da ribalta.

Sonhou-se até com a morte de Deus, no homem-senhor dominando todos os saberes.

E o mundo mudou. Agora é outro com a rota da máquina e da tecnologia de ponta, das redes de computador, da robótica, da telemática, que provoca transformações nas profundas nas relações humanas. Hoje é possível uma pessoa ter, com a permissão de Roberto Carlos, um milhão de amigos sem nem mesmo botar os pés fora de casa.

É a tecnologia em tudo: o homem está interligado em redes eletrônicas, mas vive na solidão. E volta-se para a ecologia, consciente de que a preservação do meio-ambiente é essencial para sua própria sobrevivência.
Mergulhando no cosmos, o homem aprofunda seus conhecimentos sobre a origem do universo, como quem busca o próprio Deus. E é mesmo uma nova busca de Deus.

Mas se a religião oferece a salvação; a Arte, a compreensão. E na literatura a nossa alma se aconchega.
E continuamos sonhando com a Paz e outras ternuras. Somos diferentes, mas ainda os mesmos: românticos, sonhadores.

Que os Anjos digam: Amém!

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