Oppenheimer (por Ricardo Guedes)

O filme Oppenheimer, de Christopher Nolan, será, neste Oscar, um dos mais, senão o mais agraciado neste domingo

atualizado

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Divulgação/Universal Pictures
Cena de Oppenheimer, filme do diretor Christopher Nolan. Na imagem, um homem vestindo termo e chapéu caminha no meio de uma explosão - Metrópoles
1 de 1 Cena de Oppenheimer, filme do diretor Christopher Nolan. Na imagem, um homem vestindo termo e chapéu caminha no meio de uma explosão - Metrópoles - Foto: Divulgação/Universal Pictures

O filme Oppenheimer desenvolve uma excelente análise das relações entre o poder e a ciência. Quando a ciência favorece o poder, a ciência floresce. Quando a ciência contraria os interesses do poder, ela sucumbe. Foi assim na própria criação da ciência experimental, com Galileo na Itália, quando para a classe de comerciantes italiana ascendente convinha a oposição de um instrumento racional contra os dogmas da Igreja e da aristocracia, na luta e substituição do poder. Passado o interesse, o suporte à atividade científica foi declinando na Itália, posto os interesses da nova classe dos comerciantes terem sido estabelecidos. Foi assim no Macarthismo com Oppenheimer, com Trump e com Bolsonaro recentemente, na anteposição à ciência na expressão do poder. O “terror” não pode ser uma política de equilíbrio entre as nações na apropriação equivalente da tecnologia atômica, como então posto por Oppenheimer, após a eclosão unilateral do genocídio de Hiroshima.

O filme, entretanto, não dá a Fermi e à Universidade de Chicago o merecido status na criação da bomba atômica. Mesmo a Universidade de Chicago se manifestou, elegantemente, sobre esta lacuna, por ocasião do lançamento do filme.

Fermi fez o que era o mais difícil no momento, a quebra do átomo pela primeira vez, em dezembro de 1942, na Universidade de Chicago. Não que a teoria de Fermi sobre a radioatividade tenha sido mais difícil do que as outras que contribuíram para a construção da bomba atômica, ou do que a Teoria da Relatividade de Einstein, braço fundamental da física moderna e da física atômica. Mas era o mais difícil a se fazer, no momento.  Oppenheimer era um excelente engenheiro-físico, certamente meritório, no desenvolvimento do que chamamos de R&D – Research and Development, que vincula a teoria à prática, com o elo da fissão do átomo feito por Fermi. Interessante observar que todos os físicos que contribuíram teoricamente para com a física atômica, como Einstein, Bohr, Planck, Heisenberg e Fermi, foram agraciados com o Prêmio Nobel previamente ao Projeto Manhattan, sendo Oppenheimer posteriormente agraciado com o Prêmio Enrico Fermi, criado pela Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos. em homenagem a Fermi, para os que contribuíram significativamente nesta área.

Interessante também observar que Enrico Fermi teria sido sondado para vir para o Brasil por ocasião da fundação da USP, tendo indicado um dos seus mais brilhantes discípulos, Gleb Wataghin, que criou e desenvolveu a física em nosso país, com Cesar Lattes, Mario Schenberg, Paulus Pompeia. e muitos outros, não menos importantes, que resulta nos alicerces de nossa indústria eletromecânica, no ITA, e na Embraer.

Excelente filme, certamente, meritório em suas premiações.

Ricardo Guedes é formado em Física pela UFRJ e Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago

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