Oferta x demanda e a biosfera (por Eduardo Silva)

Seis planetas seriam necessários para generalizar o estilo de vida dos ricos. Mas só temos um

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1 de 1 planeta terra mundo - Foto: Divulgação

Para viver, precisamos de terra fértil, água limpa e ar puro, oferecidos apenas pela biosfera. A economia diz que quando a oferta é menor que a demanda o preço sobe. Isso ocorre nas sociedades humanas e, também, na relação entre os humanos e seu meio.

Nós demandamos da biosfera muito mais que esta oferece. Seis planetas seriam necessários para generalizar o estilo de vida dos ricos. Mas só temos um, que oferece os recursos essenciais àsobrevivência em quantidade limitada e declinante, pois aquele mamífero que se diz sapiens a está destruindo de diversas e intensas maneiras.

Não surpreende, pois, que o preço daquelas condições de sobrevivência esteja em rápida elevação. Esse preço não se paga em dinheiro, invenção exclusivamente humana que a biosfera não aceita. Manifesta-se por crescente número de animais, humanos ou não, mortos por cheias, secas, furacões, ondas de calor e frio, migrações, misériapersistente, e ainda capital privado e público destruído. Enfim, desestabilização das sociedades humanas. Em consequência, guerras e genocídios, como em Gaza. Infelizes os bilhões de humanos que mal sobrevivem com o pouco que ganham, e cuja responsabilidade na degradação da biosfera, embora real, é apenas uma mínima fração dos danos causados pelos ricos com suas vidas esbanjadoras. Estes mesmos que, além disso, agravam todos os problemas com as guerras que inventam e fazem.

Para evitar que o preço dos serviços ambientais continue a se elevar, é essencial mudar o estilo de vida e as aspirações. E essa difícil mudança tem de ser rápida e profunda.

Há, entre muitos, a crença de que novas tecnologias resolverão o problema. Trata-se de uma versão moderna do mito de que o rei D. Sebastião, desaparecido em 1578 na batalha de Alcácer Quibir,voltaria para resolver os problemas. Mesmo as mais esperadas e louvadas tecnologias, como o automóvel ou a “revolução verde”, com o tempo acabam por mostrar consequências negativas, que os interesses estabelecidos procuram negar.

Assim como a indústria do tabaco mentiu e pagou para inventar e divulgar falsas notícias durante anos, na tentativa de evitar restrições a seus lucros, hoje as do petróleo, armas, finanças, alimentícia, dos fármacos e muitas outras, continuam a pagar para inventar e divulgar falsos argumentos para questionar o que a ciência já avisava a décadas, e que agora a própria biosfera evidencia com o crescimento dos eventos extremos: o bicho homem está serrando o galho em que se assenta, e obter água limpa, ar puro e terra fértil torna-se cada vez mais difícil e caro.

Nesse quadro, continuar a perseguir o sempre mal definido “desenvolvimento”, fazendo as mesmas coisas que nos levaram à situação atual, é, simplesmente, acelerar rumo ao abismo. Cientes dos limites da biosfera e respeitando-os, temos de definir objetivos concretos de redução das grandes carências da humanidade e trabalhar de forma inovadora para alcançá-los. Tudo o mais é conversa fiada ou, mais modernamente, fake news!

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