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O Tarifaço de Trump vai cair (por Ricardo Guedes)

Mexeu com as pessoas erradas

atualizado

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Chip Somodevilla/Getty Images
Imagem colorida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
1 de 1 Imagem colorida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

O Tarifaço de Trump caiu em média para 10% para a maioria dos países, e vai cair ainda mais. E não foi e não será por fatores externos da competição internacional, mas por fatores internos da política americana. Resumindo, Trump mexeu com as pessoas erradas.

Trump foi eleito por 49,9% a 48,5% no voto popular, para ser o Presidente dos Estados Unidos, e não o Imperador de Roma – lembrando que os Imperadores podem ser bons, ou ruins; como Marco Aurélio, o Rei Filósofo, que faleceu em 180 d.C., e que queria o retorno da República a Roma como fora anteriormente a 27 a.C.; e Nero, que em 64 d.C. teria incendiado Roma na perseguição aos Cristãos e outros fatores.

Segundo Wright Mills, em “The Power Elite”, são quatro as elites dominantes em uma sociedade: os empresários, que mandam; os políticos, que executam; os militares, que garantem; e os intelectuais, que moderam as sociedades, aqui entendidos por imprensa e universidades.

Com as tarifas em 20% em geral, 25% para Canadá e México, e 125% para a China com reciprocidade chinesa em 84%, Trump mexeu com os interesses das quatro elites. Os empresários, “the men who made America”, estão perdendo seus lucros tanto no comércio exterior como no mercado interno; Congressistas americanos, mesmo parte dos Republicanos, que fundaram e exercem o poder da democracia no país, já se opõem às tarifas, mais especificamente em relação ao Canadá, e outros países; parte dos militares do Estado-Maior foram demitidos de seus postos, o que não é medida usual, que lutaram e lutam pelo país; e verbas para a Ciência e Tecnologia, e para as Universidades, como Harvard, Princeton, Columbia, dentre outras, estão sendo cortadas no âmbito federal, as Universidades que tanto formam quadros e são fundamentais no desenvolvimento do país. Todas estas quatro instituições têm sido fortemente afetadas, que tanto contribuíram para fazer a América “Great Before”.

Na economia, estima-se que um celular, que hoje custa US$ 800, poderia chegar a US$ 1.500 com as tarifas anteriores, e atuais. Parte dos bilionários e milionários americanos pediram a revogação de tarifas a Trump. E mesmo Elon Musk, que não foi totalmente atendido. É como disse Marx no Volume III do Capital: “E os políticos? Os políticos podem fazer o que quiserem, desde que não atrapalhem a reprodução do capital”. Mexeu com a gente errada. Com diz o ditado, “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Trump já cede às pressões.

Importante observar que o PIB dos Estados Unidos, que representava 40% do PIB mundial em 1960, caiu para 25% em sua participação global. Os Estados Unidos não mandam mais no mundo. O PIB dos Estados Unidos é hoje de US$ 27 trilhões, China em US$ 18 trilhões (World Bank), a China crescendo proporcionalmente mais do que os Estados Unidos. E a renda per capita americana está em US$ 65 mil ano, a Chinesa em US$ 10 mil (UN), os chineses possivelmente com maior facilidade em trabalhar em condições individuais e coletivas adversas do que os americanos. Os Estados Unidos abrem as portas para a China liderar a formação de novos blocos e regras econômicas nas relações comerciais. Novos blocos regionais e entre países surgem no mundo. O caminho será tortuoso, mas ocorrerá.

Achar e simplesmente agir não é poder, é alienação de poder. Os Estados Unidos poderão piorar o seu crescimento econômico. Indicadores da OECD para os efeitos das tarifas em 10% nos PIBs de 7 países do mundo, mostram que o México seria o mais afetado, seguido dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Zona do Euro, Índia e China, 5 a 6 vezes menos do que os Estados Unidos.

A má gerência do país deverá ter o seu preço.

 

 

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago

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