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O sigilo dos segredos (por Tânia Fusco)

No mundo ideal candidatos a presidente da República só poderiam registrar sua candidatura com sigilo bancário aberto

21/10/2026 10:06
Renato Pizzutto/Band
O sigilo dos segredos (por Tânia Fusco)

Até guardo segredos alheios. Quando me esqueço. Sou distraída suficiente para esquecer de um segredo. Se eu me lembrar, e dependendo da hora que me lembrar, conto até os meus. Mas, se o segredo vem com nome de sigilo, ainda que não seja perigoso ou cabeludo, fico esperta. E guardo. Até que o próprio dono do sigilo o revele.

Abrir sigilo é decisão pessoal. Quebrar sigilos é direito da polícia, quando tem indícios suficientes que ali tem coisas guardadas que podem revelar ou comprovar crimes.

Abrir ou quebrar sigilo bancário de nós – seres humanos normais, povo, peões na movimentação social – servirá pra pouca coisa. Talvez descobrir a ginástica financeira que fazemos. Uns, para tocar a vida com algum conforto. Outros, apenas com alguma dignidade.  Aqui, a abertura do sigilo telefônico só revelaria um monte de fofocas, briguinhas familiares. Talvez traições amorosas.

No mundo ideal, cidadãos e cidadãs que concorrem a cargos eletivos – políticos – deveriam abrir seus sigilos bancários por obrigação de ofício. Candidatos a Presidente da República só poderiam registrar sua candidatura com sigilo bancário aberto. Valendo o mesmo para os pretendentes a prefeitos, governadores e ministros de Estado.

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Olha que maravilha, votar com, ao menos, tendo o ladrão, o mais mentiroso já devidamente identificado?

Claro que, conhecendo essas espécies de humanos, podemos já suspeitar que arranjariam sempre um jeitinho de não deixar circular por contas bancárias todo seu manejo financeiro. Já fazem isso. E muito bem. Ladrões são criativos. Nesta eleição, por exemplo, estamos convivendo com a modalidade lavar dinheiro das malditas emendas parlamentares em grandes shows pelo Brasil afora, em filmes… Chegarão ao circo.

Não fariam diferente no mundo ideal. Talvez tivessem um pouquinho mais de trabalho.

Sonhos à parte, qual a surpresa, a dificuldade, o problema de nossos dois presidenciáveis abrirem, ao menos, seus sigilos bancários?

Se um diz que o outro é ladrão, porque não transformar a dúvida em verdade?

Vai que os dois são mesmos ladrões? Vai que um rouba mais do que outro? Vai que só um é mesmo o ladrão?

A proposta do Lula seria prontamente aceita, se nós eleitores fossemos minimamente respeitados, não tratados como tontos, que acreditam no conto de fada de que um ou outro possa, num passe de mágica, fazer do país paraíso na terra. (Verdade que um tá mais próximo do inferno do que o outro… Benza Deus!)

– Tá aqui, tio, meu sigilo bancário! Diria Flavinho, o esperto. Tá vendo? Pago em dinheiro vivo imóveis que compro pra agilizar o negócio e ganhar tempo pra caprichar em meus projetos de lei como Senador.  E nem venha me lembrar que, em 8 anos de mandato nenhum deles foi aprovado! Só não tive sorte, cara. Levo mais jeito com imóveis. Sou craque no business!

–  Entendi. Por isso faturou 14 milhões durante seu mandato de Senador? E apostou na BET em dobradinha com o, nada limpinho, Willer Tomaz?

– Sou bom de business. Por isso vou criar o Ministério da Prosperidade. (Seja lá o que isso signifique).

– Já meu sigilo telefônico é mais difícil. Envolve terceiros, que nem sempre estão bem na fita… Alguns estão fazendo o diabo.  Putaria geral, entende?  Com o celular, a gente também fala e escreve muita merda. Quem nunca? Tudo isso pode agredir famílias bem…

– OK. Ficamos só no sigilo bancário.

Não vai rolar queda de sigilo nenhum. O mais certo é que iremos pras urnas reduzindo a nada a tal da preocupação com o futuro. Apenas uns acreditando que ladrão é o candidato do outro.

Esse negócio de defender a democracia, resistir às ameaças à soberania, ao entreguismo e servidão ao mister Trump, currículo fraquinho… não tem a menor importância. É mimimi de artista, ecochato, esquerdista de merda…

Eu, esquerdista de merda, adoro eleição. Provoca sentimento forte como nos começos de grandes paixões. Aquele frio na barriga da dúvida – vai ou não rolar? Quando botei fé que iria rolar, rolou. E, sempre, foi muito bom.

Bora pra urna! Com fé. E a proteção salvadora de Nossa Senhora Aparecida.

PS.:Trump avisa que os Estados Unidos vão QUEIMAR se o partido Democrata vencer as eleições de meio do mandato. E é Lula quem faz campanha do medo?