O que a trilha revela sobre a água que não vemos (por Mariana Caminha)

Aprendi coisas inquietantes. Como a presença comprovada de microplásticos na água do Lago Paranoá

atualizado

Compartilhar notícia

Mariana Caminha
trilhas-brasilia
1 de 1 trilhas-brasilia - Foto: Mariana Caminha

Paixão recente, fazer trilhas tem me proporcionado momentos muito prazerosos. Eu, que sempre quis uma companhia para me aventurar por aí, acabei encontrando – por acaso, no Instagram – um grupo organizadíssimo dedicado à prática.

Sem pensar duas vezes, me inscrevi no plano anual das Trilheiras de Brasília, um grupo formado apenas por mulheres que, há seis anos, une atividade física, natureza e socialização. São centenas, pelo que soube.

A trilha do último domingo foi no Parque das Garças, às margens do Lago Paranoá. Durante boa parte do caminho, tive o prazer de conversar com a geóloga Lucieth Vieira, professora da UnB, e com sua companheira, Manuelle Góis, que, além do bom papo, nos presenteou com deliciosos milhos cozidos para o lanche – plantados, colhidos e preparados por ela mesma.

Era o Dia Mundial da Água e, coincidentemente, falamos muito sobre ela – do mar, das inundações, dos riscos da vida costeira e também daquele lago que, silenciosamente, nos acompanhava ao lado.

Aprendi coisas inquietantes. Como a presença comprovada de microplásticos na água do Lago Paranoá. E mais do que isso: evidências de que esses microplásticos se depositam no fundo, num processo de sedimentação já estudado por pesquisadores da UnB. O fundo do lago, ao que tudo indica, funciona como um reservatório invisível de poluição plástica.

Invisível, mas presente.

Também fiquei sabendo da presença de pirarucus por ali – aqueles peixes enormes, quase pré-históricos. Apesar de a pesca ser permitida, fiquei me perguntando se o consumo desse peixe seria realmente indicado. Em um lago onde já se identificam microplásticos e até traços de substâncias tóxicas, o que exatamente se acumula ao longo da cadeia alimentar?

Caminhávamos, conversávamos, compartilhávamos nosso amor pela natureza e nosso medo diante do que o futuro nos reserva.

As trilhas, aprendi, nos levam para dentro da paisagem. Às vezes, também escancaram problemas que preferiríamos não enxergar.

No Dia Mundial da Água, ficou a sensação de que o maior risco já não está no que é visível. Está no que se acumula em silêncio – no fundo dos lagos, nas correntes, nos detalhes que passam despercebidos. Daí a urgência de agir.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?