O perigo de conflito iminente em Taiwan (por Ricardo Guedes)

Os distúrbios econômicos e a inflação mundial estão aí, como resultados da imprudente e mal calculada guerra no Irã

atualizado

Compartilhar notícia

Andrew Harnik/Getty Images
imagem colorida donald trump e xi jinping
1 de 1 imagem colorida donald trump e xi jinping - Foto: Andrew Harnik/Getty Images

Vem aí, na sequência, o próximo capítulo, de extremo perigo, o do possível conflito entre os Estados Unidos e a China em Taiwan.

Taiwan é, formalmente, parte da China continental. Ao final da Revolução Chinesa, em 1949, Mao Tse-Tung, exauridas que estavam as suas tropas, deixou para proceder à ocupação de Taiwan posteriormente, à época sem valor econômico. Em 1973, a ONU reconheceu Taiwan como parte da China continental, assim também procedendo os Estados Unidos em 1979, por razões, à época, conjunturais.

Taiwan tem hoje 22 milhões de habitantes com um PIB de US$ 828 bilhões, o 20º PIB do mundo. O seu crescimento tecnológico começou no final dos anos de 1980 e na década de 1990, com os chips eletrônicos, com a sequência da nanotecnologia nas décadas de 2000 e 2010, desenvolvendo os supercondutores quânticos a partir de 2022, indispensáveis para a moderna indústria econômica e militar. O primeiro computador, desenvolvido na Universidade da Pensilvânia e apresentado em 1946, era eletromecânico, pesando 30 toneladas.  Os computadores a quartzo foram desenvolvidos a partir da década de 1970, com computadores que atualmente pesam menos que 1 kg. Hoje, a informação está sendo transmitida através de partículas subatômicas. O “fio” de comunicação em um supercondutor quântico tem hoje a espessura equivalente a 1 parte de 100 mil de um fio de cabelo.

Embora Trump e Biden, em seus mandatos anteriores, tenham estimulado as empresas do Vale do Silício a entrarem na pesquisa e produzirem supercondutores, através de linhas governamentais de subsídios, o Vale do Silício preferiu trilhar o seu caminho do lucro imediato, como no desenvolvimento da IA, dependente dos supercondutores, sem pensar em estratégias de longo prazo. Hoje, Taiwan produz 97% dos supercondutores mundiais. A NVIDIA, dos Estados Unidos, empresa de maior valor do mundo, recentemente se comprometeu a iniciar a construção de indústria de supercondutores no Arizona, com a assessoria e know-how da Taiwan Semiconductor Manufacturing Corporation, a maior fabricante de Taiwan, na busca de maior autonomia para a indústria Americana.

A ocupação de Taiwan pela China, neste momento, iria gerar enormes problemas e conflito com os Estados Unidos. Os Estados Unidos têm bases militares nas Filipinas, Japão e Guam. Às vezes, navios e caças dos Estados Unidos e da China se cruzam, perigosa e provocativamente, no Mar da China.

Situação de alta periculosidade no Mar da China. Se a China entrar em Taiwan, o que é parte das intenções de Pequim, poderá haver conflito entre os Estados Unidos e a China, em proporções difíceis de se calcular atualmente.

A China deverá ultrapassar o PIB dos Estados Unidos até 2050, conforme projeções. O problema é de que não há caso precedente na história mundial onde o país predominante tenha sido substituído por outro em seu poderio econômico sem que daí decorresse guerra. O último exemplo foi a queda do Império Britânico na segunda metade do século XIX e início do século XX, que resultou na taxação das exportações da Alemanha que então se industrializava, base econômica de duas Guerras Mundiais.

O problema é que, agora, ambas as partes, Estados Unidos e China, detêm armas nucleares. Os Estados Unidos têm cerca de 5.200 ogivas nucleares, China 500, Rússia 5.800, além de fortes contingentes convencionais. Estima-se que cerca de 100 a 200 ogivas nucleares poderiam ter um efeito devastador sobre a terra com a larga distribuição e geração de inverno nuclear; cerca de 1.000 ogivas com a devastação extrema de nosso planeta; e 10.000 ogivas com o efeito aniquilador de nossa civilização.

 

Que nenhuma guerra aconteça, é o que esperamos!

 

“Meu amor, olha só hoje o sol não apareceu,
É o fim, da aventura humana na Terra…

Minha pequena Eva,

Eva!…”

(“Minha Pequena Eva”, por Umberto Tozzi e Giancarlo Bigazzi, Itália)

 

Ricardo Guedes é formado em Física pela UFRJ e Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago. Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”  

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?