O perigo de conflito iminente em Taiwan (por Ricardo Guedes)
Os distúrbios econômicos e a inflação mundial estão aí, como resultados da imprudente e mal calculada guerra no Irã
atualizado
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Vem aí, na sequência, o próximo capítulo, de extremo perigo, o do possível conflito entre os Estados Unidos e a China em Taiwan.
Taiwan é, formalmente, parte da China continental. Ao final da Revolução Chinesa, em 1949, Mao Tse-Tung, exauridas que estavam as suas tropas, deixou para proceder à ocupação de Taiwan posteriormente, à época sem valor econômico. Em 1973, a ONU reconheceu Taiwan como parte da China continental, assim também procedendo os Estados Unidos em 1979, por razões, à época, conjunturais.
Taiwan tem hoje 22 milhões de habitantes com um PIB de US$ 828 bilhões, o 20º PIB do mundo. O seu crescimento tecnológico começou no final dos anos de 1980 e na década de 1990, com os chips eletrônicos, com a sequência da nanotecnologia nas décadas de 2000 e 2010, desenvolvendo os supercondutores quânticos a partir de 2022, indispensáveis para a moderna indústria econômica e militar. O primeiro computador, desenvolvido na Universidade da Pensilvânia e apresentado em 1946, era eletromecânico, pesando 30 toneladas. Os computadores a quartzo foram desenvolvidos a partir da década de 1970, com computadores que atualmente pesam menos que 1 kg. Hoje, a informação está sendo transmitida através de partículas subatômicas. O “fio” de comunicação em um supercondutor quântico tem hoje a espessura equivalente a 1 parte de 100 mil de um fio de cabelo.
Embora Trump e Biden, em seus mandatos anteriores, tenham estimulado as empresas do Vale do Silício a entrarem na pesquisa e produzirem supercondutores, através de linhas governamentais de subsídios, o Vale do Silício preferiu trilhar o seu caminho do lucro imediato, como no desenvolvimento da IA, dependente dos supercondutores, sem pensar em estratégias de longo prazo. Hoje, Taiwan produz 97% dos supercondutores mundiais. A NVIDIA, dos Estados Unidos, empresa de maior valor do mundo, recentemente se comprometeu a iniciar a construção de indústria de supercondutores no Arizona, com a assessoria e know-how da Taiwan Semiconductor Manufacturing Corporation, a maior fabricante de Taiwan, na busca de maior autonomia para a indústria Americana.
A ocupação de Taiwan pela China, neste momento, iria gerar enormes problemas e conflito com os Estados Unidos. Os Estados Unidos têm bases militares nas Filipinas, Japão e Guam. Às vezes, navios e caças dos Estados Unidos e da China se cruzam, perigosa e provocativamente, no Mar da China.
Situação de alta periculosidade no Mar da China. Se a China entrar em Taiwan, o que é parte das intenções de Pequim, poderá haver conflito entre os Estados Unidos e a China, em proporções difíceis de se calcular atualmente.
A China deverá ultrapassar o PIB dos Estados Unidos até 2050, conforme projeções. O problema é de que não há caso precedente na história mundial onde o país predominante tenha sido substituído por outro em seu poderio econômico sem que daí decorresse guerra. O último exemplo foi a queda do Império Britânico na segunda metade do século XIX e início do século XX, que resultou na taxação das exportações da Alemanha que então se industrializava, base econômica de duas Guerras Mundiais.
O problema é que, agora, ambas as partes, Estados Unidos e China, detêm armas nucleares. Os Estados Unidos têm cerca de 5.200 ogivas nucleares, China 500, Rússia 5.800, além de fortes contingentes convencionais. Estima-se que cerca de 100 a 200 ogivas nucleares poderiam ter um efeito devastador sobre a terra com a larga distribuição e geração de inverno nuclear; cerca de 1.000 ogivas com a devastação extrema de nosso planeta; e 10.000 ogivas com o efeito aniquilador de nossa civilização.
Que nenhuma guerra aconteça, é o que esperamos!
“Meu amor, olha só hoje o sol não apareceu,
É o fim, da aventura humana na Terra…
Minha pequena Eva,
Eva!…”
(“Minha Pequena Eva”, por Umberto Tozzi e Giancarlo Bigazzi, Itália)
Ricardo Guedes é formado em Física pela UFRJ e Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago. Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”


